v. 14, n. 1 (2014)

É com satisfação que apresentamos o volume 2014/1 dos Cadernos de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, periódico semestral do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Como tem sido a política editorial até o momento, este número agregou contribuições focadas ao longo de uma diversidade de temas entre a arquitetura, o urbanismo, o planejamento e o design. Com isso, procuramos nos aproximar de um conjunto capaz de suscitar intercâmbios interdisciplinares dentro e entre cada uma dessas áreas. Assim, esta edição reúne um conjunto de sete artigos que, sem seguir uma sequencia estrita, apontam para os vários campos de interesse que tem despertado o interesse dos pesquisadores da área.

São trabalhos marcados, antes de mais nada, pela atualidade e/ou originalidade de sua temática. O primeiro artigo, sobre a formação do corredor urbano Campinas – Sorocaba, envolve um tema emergente de suma importância no debate urbanístico contemporâneo, particularmente no caso paulista: a formação e o funcionamento de um complexo urbano macro-metropolitano, caracterizado pela urbanização dispersa, e pela fragmentação e reorganização dos usos residenciais, comerciais, industriais e de logística, ao longo dos principais eixos rodoviários do Estado de São Paulo, fenômeno extremamente bem exemplificado pelo caso do corredor urbano identificado pelos autores.

Em seguida, temos um assunto de vocação polêmica: a integração das favelas aos circuitos turísticos oficiais no Rio de Janeiro, e sua relação com as novas políticas de segurança e de integração das comunidades ao espaço urbano dito “formal”, implementadas em parceria entre o governo estadual e a Prefeitura carioca. Trata-se de um artigo que empreende um apanhado geral das problemáticas envolvidas, trazendo à tona questões ainda candentes. O terceiro artigo, também sobre o Rio de Janeiro, enfoca a célebre Rua do Ouvidor e adjacências, centro do comércio elegante no Rio oitocentista, e sua adaptação às políticas de preservação iniciadas com o Corredor Cultural, de um lado, e às demandas do comércio de artigos de vestuário e similares, de outro, o qual, embora voltado a um outro público, continua marcando a ocupação e a vitalidade da região. O texto aponta para um problema recorrente nas nossas políticas de patrimônio: a proteção voltada apenas às fachadas, resultando na perda das ambiências originais e dos valores patrimoniais imateriais a elas associados.

O artigo seguinte traz uma abordagem mais voltada àquele que é ainda um campo de experimentação no ensino de projeto arquitetônico: A aplicação dos princípios e métodos do design thinking nesse campo. Por meio de um exercício experimental, procurou-se demonstrar os potenciais de aplicabilidade dessa metodologia em sala de aula, por meio de um interessante jogo montado com diferentes grupos de alunos.

Dos métodos de projeto mais avançados, passamos aos tradicionais cadernos de desenho e de croquis dos arquitetos, que têm sido objeto de interesse e fascinação desde o Renascimento. Enfocando os cadernos que integram de maneira recorrente a prática profissional e o processo criativo do arquiteto português Eduardo Souto de Moura, o artigo seguinte nos leva numa viagem pela trajetória projetual do arquiteto, abarcando uma série de experiências, impressões, analogias, digressões e ensaios que, registrados em seus cadernos, irão informar uma produção arquitetônica depurada e até austera, porém enriquecida subliminarmente pelos ricos conteúdos compilados nos mesmos.

A arquitetura moderna brasileira têm sido objeto de uma multiplicidade de estudos nas últimas décadas, muitas vezes enfocando as mesmas obras canônicas já consagradas nacional e internacionalmente. Portanto, a revelação de episódios menos conhecidos dessa produção assume interesse especial, como no caso do Pavilhão de Exposições do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, do arquiteto Marcos Heckman, de 1960, apelidado “Mata-Borrão” em virtude de sua inusitada forma elíptica, objeto do sexto artigo em pauta. Tão impactante quanto efêmero, é um episódio que demonstra a capacidade da arquitetura moderna de interferir na paisagem urbana de maneira instigante, estando gravada na memória dos porto-alegrenses até hoje.

Memória e paisagem urbana são também assunto do último trabalho, que finaliza essa trajetória interdisciplinar subjacente à seleção dos artigos. De autoria de uma psicóloga, e derivado de uma pesquisa realizada com seus alunos de graduação junto a crianças de escolas cariocas, envolveu a produção de mapas mentais pelas mesmas, descrevendo seu trajeto cotidiano da casa à escola. Salienta a importância da educação patrimonial em todos os níveis de ensino, e nos revela um universo urbano sui generis, renovado pelo olhar das crianças, as quais, por sua vez, empreendem sua “alfabetização cultural” por meio desse contato mais consciente com a realidade urbana que todos habitamos.

Aos que colaboraram como revisores ad hoc, nossos agradecimentos. E um agradecimento especial aos Professores José Geraldo Simões Junior e Eunice Helena Sguizzardi Abascal, pelas contribuições e sugestões valiosas.

Candido Malta Campos, Editor

Charles C Vincent, Editor Executivo

Helena Rodi Neumann, Assistente Editorial

 

Revisores Ad-Hoc

1. Alvaro Puntoni (FAU / USP)
2. Angélica Alvim (PPGAU / UPM)
3. Carlos Arriagada (FAU / UPM)
4. Carlos Zibel (FAU / USP)
5. Eulalia Negrelos (IAU / USP)
6. Élida Zuffo (UNIP)
7. Eunice Abascal (PPGAU / UPM)
8. Giorgio Giorgi (FAU / USP)
9. José Geraldo Simões Jr. (PPGAU / UPM)
10. Luiz Antonio Cardoso (PPGAU / UFBA)
11. Maria Cristina Schicchi (Unicamp)
12. Marta Bogea (PUC / SP)
13. Mirna Korolkovas
14. Wilson Florio (PPGAU / UPM)

Sumário

Artigos

Wilson Ribeiro dos Santos, Anderson Dias de Almeida Proença
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20
Flavia Damasio Silva, Fernanda Caixeta Carvalho
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10
Juliana Silva Pavan, Rosina Trevisan M. Ribeiro
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23
Ivo Renato Giroto
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20
Edilene Siveira Alessi, Rafael Antonio Cunha Perrone
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14
Anna Paula Moura Canez
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17
Phrygia Arruda
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22