Edições anteriores

2016

v. 16, n. 2 (2016)

Uma discussão de Projeto - da Cidade à Arquitetura

O Projeto é o foco das temáticas abordadas pelos artigos do volume 2016.2 do CadernoPós. Do Urbanismo ao Planejamento e à Arquitetura, os artigos discutem seus temas tendo como substrato o Projeto.

A abertura do conjunto de artigos desta publicação está a cargo de José Geraldo Simões Júnior que, homenageado pelo trabalho dedicado a este periódico, foi convidado, pelo novo grupo de editores, a publicar uma de suas pesquisas. O artigo "Os projetos para o bairro do Pacaembu e o debate urbanístico em São Paulo" aborda o projeto do Bairro do Pacaembu que, ao propor uma nova lei dos arruamentos inaugura um desenho avançado em termos ambientais e técnicos de implantação urbana. De forma histórico-cronológica e através de fontes documentais inéditas o artigo vai esclarecendo o processo que se articula, no tempo, na confluência de relações profissionais, ideário urbanístico internacional e saber técnico. Através de fontes documentais inéditas mostra, na incidência do tempo, a experiência culta de construção de um Projeto modelo para o Urbanismo da cidade de São Paulo.

Na tônica do Projeto em escala urbana e sua relação com a gestão da definição da cidade, três artigos discutem a relevância do papel do estado, por omissão ou por agenciamento de desigualdade sócio espacial, e o direito à cidade à luz do Estatuto da Cidade (Lei 10.257/2001).

Aproximada à escala do projeto arquitetônico, a discussão se localiza nas virtudes física e material do edifício. Em sua relação com questões de uso e ocupação, em sua afinidade com as artes plásticas, em sua formalização estética e técnica. Ainda nesta escala, a sequência de artigos se completa no relato de uma experiência de ensino que, embora localizada em uma discussão didático-pedagógica, contribui para uma reflexão que perpassa todos os demais: o projeto é um saber específico e gerador de conhecimento.

 

I - Direito à cidade, contradição e desenvolvimento de uma sociedade democrática

Raquel Gomes Valadares e Ítalo Stephan argumentam em “Plano Diretor Urbano – Instrumento da desigualdade social: uma análise de Vitória da Conquista – BA”, a ideia que o Plano Diretor Urbano é uma Lei Municipal que promove a segregação social, pois encerra no interior de seus mecanismos de organizar o espaço urbano, por meio da ordenação da ocupação do solo e do planejamento do desenvolvimento do espaço urbano, diretrizes que ressaltam a dicotomia social e econômica, atribuindo atendimento desigual às demandas das áreas do espaço urbano. O argumento se explicita em uma análise de caso sobre o terceiro maior município do Estado da Bahia.

“Habitação social e Operação Urbana Consorciada Água Espraiada em São Paulo”, o texto de Silvia Mikami e Laura Rocha se propõe a discutir a contradição que acompanha o cumprimento da função social da propriedade, do interesse coletivo e da redução das desigualdades sociais, e que terminam por promover a valorização do solo urbano e da propriedade privada. O estudo de caso Água Espraiada mostra que, atrelados à Operação Urbana Consorciada, os projetos de habitação social têm pouco impacto nos orçamentos, mediante a grandiosidade das vantagens adquiridas pelo mercado imobiliário e dos altos recursos destinados para as obras viárias. Também não asseguraram o legítimo direito à cidade.

No artigo “O Direito à Cidade e o Problema da Acessibilidade: um Novo Olhar Sobre as Cidades Brasileiras”, Eduardo Patrício da Silva discute a acessibilidade do ponto de vista de sua definição conceitual e sua função social no desenvolvimento de uma sociedade democrática. Também aborda o tema nas urbes brasileiras e a esperada participação da sociedade civil na concepção de cidades acessíveis. No entendimento de que a interação de legislação e materialização da cidade é uma questão, o autor defende que a acessibilidade, ao ser uma parte integrante da dinâmica e do funcionamento das cidades, se constitui como elemento agregador na qualidade de vida urbana e que, portanto, deve ser considerada como uma das exigências norteadoras das decisões de projetos.
 

II - Sobre Projeto

A “Análise das Condições de Uso e Ocupação de HIS, Localizadas na Cidade de Pelotas – ZB2, Preconizadas no RTQ-R no Método de Simulação Computacional”, de Raquel Ramos Silveira da Mota, encabeça a aproximação ao projeto e à obra na escala do edifício. Apoiado em normas e tecnologia, o artigo descreve o roteiro, o método de aproximação, a execução e os resultados de um estudo sobre casas do programa Minha Casa Minha Vida que relaciona os aspectos construtivos e parâmetros de uso e ocupação.

Se a técnica ampara, cada vez mais, as possibilidades de estudo e pesquisa na escala do edifício, a relação da arquitetura com as artes tem sido pouco discutida na esfera do ensino e tem estado esquecida pelas obras atuais. Mesmo por aquelas que mantêm um vínculo de referência com a arquitetura moderna brasileira. Se aproximando deste tema, o texto “Entre o concreto e o abstrato: as obras de Armando de Holanda Cavalcanti com Athos Bulcão” de Clarissa Carvalho e Silva, Adriana Freire de Oliveira e Guilah Naslavsky relembra, na discussão síntese x integração das artes, esta que  foi uma das características mais celebradas da modernidade da arquitetura no Brasil. Também traz à pauta questões que pertencem ao raciocínio abstrato-geométrico, que relaciona escala, espaço, adequação e, assim, discute composição. Matéria também esquecida no currículo de muitas escolas.

Em uma abordagem formal, funcional e contextual, o texto de Vanessa Calazans da Rosa, “Edifício da Biblioteca de Maringá e suas referências projetuais” analisa o hibridismo de uma obra de arquitetura no contexto da modernização das pequenas e médias cidades do interior do país, a partir da incorporação das ideias de arquitetura das metrópoles. Observa elementos e arranjos programáticos que organizam o edifício em questão e faz ver que o projeto da arquitetura tem necessariamente referências em outras obras cuja influência se adapta a enredos interpretados segundo demandas locais.

Esse mesmo raciocínio orienta a tema do artigo de Célia Regina Moretti Meirelles e Ricardo Herman Medrano “Félix Candela, paraboloides hiperbólicos e a arquitetura paulista: estudo de casos”. Estruturada a partir de estudos de casos, a trama põe em evidência a influência, no Brasil, em especial nas obras da chamada arquitetura brutalista, da obra do arquiteto espanhol imigrado para o México. A expressão das obras analisadas identificam o domínio técnico do concreto armado e seu bom emprego em cascas finas, aplicando as equações de membrana às formas geométricas reconhecidas como paraboloides hiperbólicos.

A expressão de uma obra é algo que compete ao processo de concepção. Na esfera acadêmica, é sempre oportuna a discussão que norteia o ensino do projeto, tido como um saber com papel prepoderante nos cursos de Arquitetura e Urbanismo. O artigo “O Ensino do Projeto de Arquitetura e Urbanismo no final do curso: uma reflexão propositiva para os Trabalhos Finais de Graduação”, de Sergio Moacir Marques, traz um olhar critico sobre a relação teoria e prática ou investigação e ação projetual, a partir de uma abordagem educativa. Discute questões didático-pedagógicas, amparadas no interesse da relação ensino-aprendizagem e à luz da formação do arquiteto.

 

A revista CadernosPós fala de Projeto.

Neste número, viaja da visão macro do Planejamento e do Urbanismo, e as possibilidades de organização das relações no espaço da cidade, à arquitetura que, por sua vez, se dispõe a desenhar as estruturas do viver. Mas nas diversas escalas se refere sempre ao Projeto que institui o raciocínio do arquiteto urbanista.

 

Maria Isabel Villac

Editora

 

Expediente

Equipe Editorial 

Maria Isabel Villac, Editora

Ana Gabriela Godinho Lima, Editora Temática

Maria Augusta Justi Pisani, Editora Temática

Charles C Vincent, Editor Executivo

 

Flávia Botechia, Assistente Editorial

Márcia Gregori, Assistente Editorial

Verônica Polzer, Assistente Editorial

 

Pareceristas Ad Hoc

Adriana Monzillo de Oliveira (FAAP)
Ana Maria Gadelho Albano Amora (UFRJ)
Ana Virgínia Carvalhães de Faria Sampaio (UEL)
Anália Maria Marinho de Carvalho Amorim (USP)
Carlos Almeida Marques (ULisboa)
Carolina de Rezende Maciel (Mackenzie)
Célia Helena Castro Gonsales (UFPEL)
Fábio José Martins de Lima (UFJF)
Geraldo de Souza Dias Filho (USP)
Gilda Collet Bruna (Mackenzie)
José Geraldo Simões Júnior (Mackenzie)
Lizete Maria Rubano (Mackenzie)
Luciana Nemer Diniz (UFF)
Luiz Guilherme Rivera de Castro (Mackenzie)
Maria Pronin (Mackenzie)
Morgana Maria Pitta Duarte Cavalcante (UFAL)
Nilce Aravecchia (USP)
Patrícia Pereira Martins (UNICAMP)
Pérola Felipette Brocanelli (Mackenzie)
Rafael Antônio Cunha Perrone (USP)

Capa da revista

v. 16, n. 1 (2016)

APRESENTAÇÃO

Ao longo de quinze anos de existência, os Cadernos de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, continuam com a sua missão, de difundir a produção acadêmica de pesquisadores no âmbito da pós-graduação no Brasil e exterior, através de textos de autoria de alunos, docentes e pesquisadores participantes de cursos de mestrado, doutorado e pós-doutorado.

Neste primeiro fascículo do ano de 2016 apresentamos nove artigos provenientes de sete instituições de pesquisa e pós-graduação nacionais e uma no exterior (Venezuela). Tomando como base as rápidas apresentações constantes nos resumos dos textos, no primeiro deles, da autoria de Lourdes Peñaranda e equipe, da Universidad del Zulia, em Maracaibo, intitula-se La Carlota: una producción del espacio urbano, que estuda o Parque Metropolitano de La Carlota, em Caracas, cujo projeto foi desenvolvido no âmbito de um concurso internacional para revitalizar a cidade, utilizando como premissa uma abordagem de sustentabilidade e recuperação ambiental da estrutura metropolitana.

No segundo artigo, a cidade do Rio de Janeiro é revisitada a partir da leitura, por parte de Mauro Calliari, de três autores da literatura brasileira: Machado de Assis, João do Rio e Nelson Rodrigues, que através de seus contos e crônicas, permeiam o século XX, ajudando a ilustrar e compreender a dinâmica de apropriação do espaço público da cidade.

O texto de Claudio Amaral, docente da UNESP, aborda de forma ensaística o teórico da restauração inglês John Ruskin, mostrando que, ao contrário da historiografia da arquitetura moderna, que o classificava de neogótico, Ruskin era, na verdade um moderno, filho do Iluminismo que se nutriu de categorias como razão, lógica, ordem, natureza, trabalho para exprimir suas concepções artísticas.

O prof. Paulo Afonso Rheingantz, da UFRJ explora os fundamentos do Design Thinking,  o entendimento de que projeto é um Wicked Problem e os argumentos de Um Olhar Sociotécnico sobre a Engenharia de Software. Procura relacionar o entendimento dos processos de concepção da Engenharia de Software e da Arquitetura como culturas projetuais que resultam de um esforço coletivo, complexo e criativo onde a qualidade dos produtos depende fortemente das pessoas, das organizações e dos processos utilizados em sua produção e uso.

No quinto artigo, a arquiteta portuguesa e mestre pela UFRJ Tania Alexandre Cardoso, apresenta o trabalho intitulado "As Ruas Eróticas dos Quadrinhos: O Papel da Prostituta na Cidade", onde apresenta a heterogeneidade, desordem e imprevisibilidade da cidade, sinais do seu lado feminino e desafiador da ordem patriarcal instituída. Na relação entre elementos masculinos e femininos, a cidade, segundo a autora,  mostra como o papel da mulher no espaço urbano foi constantemente relegado para a esfera privada marginalizando quaisquer manifestações de liberdade feminina no espaço público. como se fosse uma aberração, um pecado. É dentro deste contexto que se pretende analisar a representação da prostituta na cidade das Histórias em Quadrinhos.

O artigo dos pesquisadores da Universidade de Fortaleza Marcio Botto e Renata Celestino, reporta sobre o estudo de reúso de águas cinzas no estado do Ceará, um território constantemente assolado pela falta de chuvas.  A tecnologia de reuso dessas águas é uma importante ferramenta para a diminuição do consumo de água potável. O texto procura explorar a  compreensão desta problemática pelos profissionais de arquitetura e engenharia da cidade de Fortaleza, com relação a empreendimentos que façam aproveitamento e uso de tratamento de águas cinza.

O sétimo texto, da autoria de Louise Lomardo e Cláudia Souza, da Universidade Federal Fluminense, apresenta uma reflexão sobre a sustentabilidade aplicada à arquitetura explorando os critérios ambientais de referência para os serviços de engenharia e obras públicas. Como objeto de pesquisa, analisa projetos da empresa Correios, relacionados à sustentabilidade e eficiência energética nas edificações, dando ênfase para pontos críticos e desafios nessa mudança de paradigma.

O próximo artigo, de dois pesquisadores do Instituto Federal Fluminense, Margarida Mussa Tavares Gomes e Helio Gomes Filho, procura analisar a representação da suburbanização e do novo urbanismo norte-americano na linguagem do cinema. Tendo como pano de fundo os filmes Infidelidade, do diretor Adrian Lyne e O Show de Truman, dirigido por Peter Weir, os autores procuram compreender como a técnica cinematográfica estabelece um novo olhar sobre a realidade, na medida em que representa o modo como o homem decodifica seu espaço,  num exercício teórico-metodológico importante para se apreender a cidade.

Por fim, o último artigo, das pesquisadoras da UFMG Rejane Drumond e Maria Luiza Castro tem como tema o déficit qualitativo das moradias de baixa renda em Belo Horizonte. Estuda a ação, ao longo dos últimos anos, da Companhia Urbanizadora e de Habitação de Belo Horizonte (URBEL), através do programa municipal “Família Cidadã: Cidade Solidária”, que preconiza a requalificação de habitações já existentes, apontando os ganhos reais trazidos por sua aplicação quanto a quesitos tais como a sustentabilidade , a inclusão e o resgate da dignidade dos moradores.

Nossos agradecimentos a toda a equipe de colaboradores desta edição, em especial aos pareceristas ad-hoc, que garantiram a qualidade de nosso processo de avaliação.

Prof. Dr. José Geraldo Simões Junior (Editor Interino)

Prof. Dr. Candido Malta Campos Neto - Editor

Prof. Dr. Charles C Vincent - Editor Executivo


Equipe Editorial

Candido Malta Campos, Editor
José Geraldo Simões Júnior, Editor interino
Roberto Righi, Editor Temático
Maria Isabel Villac, Editora Temática
Charles C Vincent, Editor Executivo

Flávia Botechia, Assistente Editorial
Márcia Gregori, Assistente Editorial
Patrícia Cardoso, Assistente Editorial
Verônica Polzer, Assistente Editorial

Pareceristas Ad Hoc

Ana Cláudia Veiga Castro (USP)
André Augusto Almeida Alves (UEM)
Antonio Ferreira Colchete Filho (UFJF)
Cibele Haddad Taralli (USP)
Cyntia Souza (SENAC-SP)
Dominique Fretin (UPM)
Gilda Collet Bruna (UPM)
Giorgio Giorgi Junior (USP)
Helena Aparecida Ayooub Silva (USP)
Juliana Di Cesare Marques Awad (UPM)
Luis Salvador Petrucci Gnoato (PUC-PR)
Marco Hovnanian (UPM)
Marta Silveira Peixoto (UFRGS)
Paula Raquel da Rocha Jorge (UPM)
Pérola Felipette Brocaneli (UPM)
Roberto Righi (UPM)
Sarah Feldman (IAU-USP)
Silvia Fracciolla Passarelli (UFABC)
Theresa Christina dos Santos Carvalho (UFRJ)

Foto de Capa: TUGraz Atrium Detail (Charles C Vincent)


2015

Capa da revista

v. 15, n. 2 (2015)

Apresentaçao:

Em seu décimo quinto ano de existência, os Cadernos de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da FAU - Universidade Presbiteriana Mackenzie dão sequência ao seu objetivo principal - de divulgar as recentes pesquisas no âmbito da pós-graduação do Brasil e exterior, nos campos do projeto de arquitetura, do urbanismo e do design.

Neste segundo fascículo do ano de 2015, composto por oito artigos, começamos com o prof. Tales Lobosco, da Universidade Federal do Mato Grosso, que divulga interessante pesquisa a respeito da organização espacial de cidades de cultura árabe e islâmica. O texto, intitulado "Percursos e redes urbanas: uma abordagem morfológica do espaço urbano nas cidades árabes"  analisa as estruturas espaciais urbanas nessas cidades, através da compreensão de aspectos culturais, da organização social e linguagem simbólica, fatores esses que explicam a grande distinção morfológica entre essas cidades e o padrão urbano tradicional das cidades ocidentais.

O artigo seguinte, da autoria de dois pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, a docente Ivone Salgado e a mestre Iara Sampaio,  analisa a configuração urbana e o crescimento da vila de Itu na passagem do século XVIII para o XIX, através do estudo de sua dinâmica populacional no período do apogeu da economia açucareira. A base documental da pesquisa foram os dados relacionados aos Maços de População, disponíveis no Arquivo Público do Estado de São Paulo, base essa instituída pelo governo do Morgado de Mateus (1765-1775), e que hoje são peças fundamentais para se explorar a política de povoamento da capitania de São Paulo nesse período.

O terceiro artigo, intitulado  "Avenida Vera Cruz: Estudos de etnografia de rua em Goiânia",  aborda as modificações de uso que essa importante via, situada na zona norte da cidade, registrou a partir da proximidade com grandes eixos rodoviários - de conexão com Nerópolis, Anápolis e Brasília.  Tais modificações, expressam-se, dentre outros aspectos, pelas formas de apropriação do espaço público pelos usuários, assim como as práticas culturais presentes no local e sua relação com a construção do espaço e da paisagem urbana. Seus autores são a prof. Eline Pereira Caixeta, do PPGAU da Universidade Federal de Goiás e a mestranda Camila Arantes Mello.

O arquiteto português Nuno Miguel Batista Silva, mestrando do Instituto Superior  de Ciências Sociais e Políticas de Lisboa, é o autor do artigo seguinte, intitulado "Da Análise vocacional do território ao planejamento urbano: Lisboa South Bay - Barreiro, qual a verdadeira vocação territorial? " O texto enfatiza o estudo do processo de reconversão do território da Quimiparque em toda a sua extensão ribeirinha, onde estuda-se a vocação do território em função de seus atributos históricos, arquitetônicos, urbanísticos, econômicos e sociológicos, que integram um riquíssimo patrimônio histórico.

O quinto artigo, intitulado "Uma agenda de eixos temáticos arquitetônicos e urbanísticos no século XXI: a consciência social", aborda a profissão da arquitetura e sua formação, a partir de documentos referenciais da ABEA, ARCUSUR, ENHSA e UIA.  Foram identificados  quatro eixos temáticos de relevância: consciência social, interculturalidade, processo de projeto revisado a partir do pensar digital, e a ecologia relacionada ao ecossistema urbano e a biotecnologia na produção do design. O artigo focaliza o primeiro eixo temático: o da consciência social que,   diferente da responsabilidade inerente da profissão, se apresenta como urgência nas atividades de formação e na prática. Seus autores são os professores Maria Cecilia Tavares e Marcio da Costa Pereira, da Universidade Federal de Sergipe.

"Análise dos Efeitos visuais e não-visuais da iluminação" é o tema do artigo dos pesquisadores associados ao Instituto de Vivienda, Urbanismo y Desarollo Sostenible (IVUDS) , professor-doutor Oscar Cardenas e a mestre Gandhi Toledo. O trabalho objetiva mostrar a relação da iluminação natural com os benefícios visuais e não visuais trazidos aos usuários, analisando fatores e estratégias que podem ser aplicadas para atingir estes benefícios. Dentre esses fatores, merecem ser consideradas as questões que transcendam aspectos relativos ao desempenho, como a percepção do usuário e a influência sobre a saúde dos homens, implicando também em abordagem interdisciplinar, envolvendo aspectos psicológicos, físicos e fisiológicos do ser humano.

O sétimo artigo, analisando croquis da obra projetual do arquiteto português Eduardo Souto de Moura, é da autoria dos pesquisadores do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, professora Simone Vizioli e o aluno Gabriel Botasso. O texto discute o grande avanço tecnológico advindo com as novas ferramentas computacionais e, consequentemente, modificações nos métodos de projetação, colocando em debate o papel do desenho a mão livre. No entanto, este último apresenta características simbióticas ao pensamento humano, à cognição e ao desenvolvimento da percepção, o que não pode ser desvinculado do pensar projetual arquitetônico. Para esta discussão, são analisados croquis de obras selecionadas do arquiteto Eduardo Souto de Moura, reforçando a tese de que o croqui ainda contribui fortemente no processo projetivo arquitetônico.

Por fim o oitavo artigo, da autoria da mestranda Valentina Marques, da UFRGS, discute a atividade de um grupo de artistas e arquitetos no Uruguai, que contribuiu significativamente para a história da arquitetura e arte moderna no país, e que em alguns aspectos se relacionou a um dos expoentes das artes plásticas uruguaias, Joaquín Torres García. Este grupo se apropriou do conceito de integração plástica e desenvolveu obras que culminaram em expressões significativas da união da arquitetura às artes plásticas. O artigo analisa uma obra arquitetônica em particular com tais características: a Casa Julio Gimeno.

 

Estes oito artigos refletem uma pequena amostra do perfil atual que pesquisadores na área de Arquitetura e Urbanismo vem desenvolvendo junto a Programas de Pós-Graduação e institutos de pesquisa. É sempre relevante procurar divulgar essa produção, não somente através de periódicos especializados como este, como também em eventos científicos e redes de pesquisa, para que nossa área de conhecimento adquira visibilidade e maior inserção nos meios científicos nacional e internacional. 

 

Nossos agradecimentos a toda a equipe de colaboradores desta edição.

José Geraldo Simões Junior

Membro do Comitê Editorial, representando o Editor Candido Malta Campos Neto.

Equipe Editorial:

Candido Malta Campos, Editor

Roberto Righi, Editor Temático
Maria Isabel Villac, Editora Temática 

Charles C Vincent, Editor Executivo

Flávia Botechia, Assistente Editorial
Helena Rodi Neumann, Assistente Editorial
Márcia Gregori, Assistente Editorial
Verônica Polzer, Assistente Editorial 

PARECERISTAS Ad Hoc

Adhemar Pala (FAU/UPM)
Ana Cecília Vasconcelos (Unifor)
Andréa Holz Pfuzenreuter (UFSC)
Beatriz Bueno (FAU-USP)
Carlos Marques (CAPP-ISCSP / Universidade de Lisboa)
Célia Meirelles (PPGAU-UPM)
Claudia Stinco (FAU/UPM)Débora Sanches (UNINOVE)
Élida Zuffo (UNIP)
Fernando Nunes da Silva (IST / Universidade Técnica de Lisboa)
Flavio Marcondes (FAU/UPM)
Heliana Angotti-Salgueiro (PNPD/UPM)
Henny Rosa Favaro (FAU-UPM)
José Geraldo Simões Filho (FAU-UPM)
Luciana Monzillo de Oliveira (FAU/UPM)
Marcelo Oliveira (FAU-UPM)
Marco Hovnanian (UPM)
Maria Cristina B. Rossi (UPM)
Maria Isabel Villac (PPGAU-UPM)
Paulo Ricardo Giaquinto (FAU/UPM)
Paulo Scarazzato (FAU/USP)
Roberto Righi (PPGAU-UPM)
Rosana Denaldi (UniABC)
Silvana Zione (UniABC)
Teresa Riccetti (FAU-UPM)
Vladimir Benincasa (FAAC-Unesp)
Volia Kato (FAU/UPM)




NordPark Cable Railway Station - Zaha Hadid
Innsbruck, Österreich 
(Photo: Charles C Vincent) 

Capa da revista

v. 15, n. 1 (2015)

Apresentação:

Com este número correspondente ao primeiro semestre do ano de 2015, iniciamos uma nova modalidade em nossos Cadernos de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo: a publicação de fascículos temáticos.

Neste fascículo inaugural, cujo tema é GESTÃO TERRITORIAL, PLANOS E PROJETOS URBANOS: MÚLTIPLAS ESCALAS NA CONFIGURAÇÃO DA CIDADE E DA NATUREZA, convidamos para a organização do caderno a nossa colega, professora Thereza Chrstina Couto Carvalho, que é doutora pela Oxford Brooks e docente do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense.

O volume apresenta seis artigos discutindo políticas setoriais de provisão de serviços urbanos (saneamento, transporte, educação e saúde, espaços públicos de convivência e de habitação popular), apresentando pontos convergentes e divergentes neste debate, com destaque para projetos nas cidades de Rio de Janeiro e São Paulo.

Bom proveito na leitura!

 

José Geraldo Simões Junior

Membro do Comitê Editorial, representando o Editor Candido Malta Campos Neto. 

Equipe Editorial:

Candido Malta Campos, Editor

Thereza Chrstina Couto Carvalho, Editora Temática 

Charles C Vincent, Editor Executivo

Flávia Botechia, Assistente Editorial
Helena Rodi Neumann, Assistente Editorial
Márcia Gregori, Assistente Editorial

Revisores Ad-Hoc

Ana Cecilia Vasconcelos (UNIFOR)
Carlos Arriagada (FAU /UPM)
Dirce Freitas (EMPLASA)
Elisabete França (FAAP)
Eulália Portela (USP /São Carlos) 
Jose Almir Farias (UFC)
José Geraldo Simões Junior (PPGAU /UPM)
Linda Gondim (UFC)
Lineu Castello (UFRGS)
Luiz Guilherme Castro (FAU /UPM)
Marcelo de Mendonça Bernardini (FAU /UPM)
Maria Cristina Schicchi (PUC /Campinas) 
Maria de Assunção Ribeiro Franco (FAU /USP)
Morgana Duarte Cavalcante (PPGAU /FAU /UFAL)
Perola Brocanelli (FAU /UPM)
Ricardo Hernan Medrano (FAU /UPM)
Roberto Righi (FAU /UPM)
Vera Tângari (PROARQ /UFRJ)

 

Murinsel at the Mur River, Graz. Architect: Vito Acconci
(Photo: Charles C Vincent)

2014

Capa da revista

v. 14, n. 2 (2014)

Editorial

Novamente com satisfação, apresentamos o volume 2014/2 dos Cadernos de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Assim como o número anterior, este traz uma série de contribuições distribuídas tematicamente entre os campos da arquitetura, do design e do urbanismo/planejamento urbano. Como antes, nestes números voltados à demanda aberta, nossa intenção é a de propiciar, a partir da diversidade de assuntos e abordagens submetidas, aproximações intra- e interdisciplinares entre campos de pesquisa, que, conquanto próximos, muitas vezes encontram pouca oportunidade para intercâmbios efetivos. Assim, esta edição reúne um conjunto de nove artigos organizados de acordo com uma sequencia temática que possa enfatizar as trocas disciplinares: os dois primeiros artigos, que tratam de arquitetura, já demonstram essa vocação, ao traçar paralelos, o primeiro, entre a obra arquitetônica do arquiteto mineiro Gustavo Penna e a obra escultórica de Amilcar de Castro; e o segundo, ao analisar o Museu de Arte Contemporânea de Niterói de Oscar Niemeyer como um templo moderno, estabelecendo paralelos com os templos gregos e particularmente com o Partenon.

Os artigos seguintes, da área de design, tratam de temas atuais que vêm repercutindo na pesquisa acadêmica: acessibilidade, no estudo sobre os Institutos Federais na Bahia; e design sustentável de mobiliário urbano, assunto imprescindível para a qualificação de nossos espaços públicos urbanos, tratado pelo autor de maneira abrangente, propondo uma conjunção entre elementos técnicos, eco design e uma importante preocupação com referências visuais e materiais locais e a identidade e identificação dos usuários desses equipamentos de rua. O quinto artigo, também na área de design, sugere uma aproximação entre o campo filosófico da lógica, neste caso o das lógicas não-clássicas, e a análise de objetos de design, tanto o contemporâneo dos Irmãos Campana como o dos projetos renascentistas, ressurgindo no momento atual, de Leonardo da Vinci - cuja recuperação evoca, segundo as autoras, uma “memória do futuro”. O sexto artigo, de uma colaboradora internacional, rompe, em parte, a sequencia mencionada arquitetura-design-urbanismo; mas, ao enfocar a pesquisa acadêmica nas áreas de prática projetual, envolve uma temática fundamental para qualquer esforço de pesquisa nessas áreas, discutindo, com base no trabalho de Richard Foqué e outros, em que medida o projeto, enquanto instrumento básico da arquitetura (assim como do design e, em parte, do urbanismo) envolve questões metodológicas, epistemológicas e disciplinares específicas, que diferem daquelas consagradas pelo método científico em outros campos do conhecimento, e que devem ser levadas em conta no momento de se constituir propostas de investigação tendo como objeto o projeto.

Os três artigos seguintes, que fecham o número, são dedicados ao urbanismo e ao planejamento urbano. O primeiro deles discute criticamente o Plano Diretor Estratégico 2014, recentemente aprovado no município de São Paulo, do ponto de vista de suas propostas e dispositivos no que se refere aos espaços públicos – tema recorrente, como não poderia deixar de ser, nas preocupações de nossos autores. Em seguida temos outra relevante contribuição aos estudos sobre a aplicação de novos instrumentos urbanísticos à realidade urbana brasileira, com um texto que analisa o caso da Operação Urbana Consorciada Tietê II em Osasco, município da Região Metropolitana de São Paulo que tem sofrido processos de desindustrialização e de terciarização da economia, e cuja porção central, cortada por barreiras como a ferrovia, a Rodovia Castelo Branco e, entre elas, o próprio rio, há tempos vem demandando uma intervenção do gênero, cuja proposta, de autoria de Hector Vigliecca, poderia afirmar a importância do projeto no âmbito das políticas urbanas, elemento tantas vezes negligenciado nas iniciativas de operações urbanas e outros instrumentos urbanísticos que o Estatuto da Cidade colocou à disposição das municipalidades. Finalmente, temos um artigo que trata de um fenômeno cada vez mais visível nos processos de urbanização em escala regional, a urbanização dispersa ou cidade difusa, negando a urbanidade a partir de sua somatória descontínua de enclaves urbanos socialmente segregados. Mostra um caso célebre internacional, o de Houston, mas, o que é mais importante, traz à luz um exemplo local não menos emblemático, o conjunto de usos estabelecido no km 72 da Rodovia dos Bandeirantes, entre Itupeva e Vinhedo, municípios da Aglomeração Urbana de Jundiaí, no cerne da Macrometrópole Paulista, ponto que reúne shopping, outlets, parques temáticos, hotel e os indefectíveis condomínios horizontais, formando como que um mostruário dos elementos mais representativos dessa nova forma de ocupação urbana – na qual a ausência de espaços efetivamente públicos e de um projeto coerente contrasta com o destaque que estes temas têm merecido por parte de nossos arquitetos, urbanistas e designers, como demonstram os artigos reunidos neste número.

Aos que colaboraram como revisores ad hoc, reiteramos nossos agradecimentos. E frisamos um agradecimento especial dirigido aos Professores Eunice Helena Sguizzardi Abascal, José Geraldo Simões Junior, Maria Isabel Villac e Angélica Alvim pela colaboração, contribuições e sugestões. Agradecemos também a Silvana Gouvêa, Karina Diógenes e Leandro Nunes de Castro, pelo auxílio.

Candido Malta Campos, Editor

Charles C Vincent, Editor Executivo

Helena Rodi Neumann, Assistente Editorial

Revisores Ad-Hoc

Carlos Marques (IST / Universidade Técnica de Lisboa)
Célia Meirelles (PPGAU / UPM)
Cibele Taralli (PÓS / FAU / USP)
Cyntia Santos (Senac / SP)
Denise Antonucci (FAU / UPM)
Dirce Freitas (EMPLASA)
Gerson Duarte (UNINOVE)
Giovanni Sarquis (IPHAN / Univ. Estácio)Gleice Elali (PPGAU / UFRN)
José Pessoa (PPGAU / UFF)
Marcelo Oliveira (FAU / UPM)
Marta Bogea (PUC / SP – FAU / USP)
Pérola Brocanelli (FAU / UPM)
Simone Vizioli (IAU / USP)
Tamara Egler (IPPUR / UFRJ)
Wilson Ribeiro dos Santos Jr. (POSURB / PUCCAMP)

v. 14, n. 1 (2014)

É com satisfação que apresentamos o volume 2014/1 dos Cadernos de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, periódico semestral do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Como tem sido a política editorial até o momento, este número agregou contribuições focadas ao longo de uma diversidade de temas entre a arquitetura, o urbanismo, o planejamento e o design. Com isso, procuramos nos aproximar de um conjunto capaz de suscitar intercâmbios interdisciplinares dentro e entre cada uma dessas áreas. Assim, esta edição reúne um conjunto de sete artigos que, sem seguir uma sequencia estrita, apontam para os vários campos de interesse que tem despertado o interesse dos pesquisadores da área.

São trabalhos marcados, antes de mais nada, pela atualidade e/ou originalidade de sua temática. O primeiro artigo, sobre a formação do corredor urbano Campinas – Sorocaba, envolve um tema emergente de suma importância no debate urbanístico contemporâneo, particularmente no caso paulista: a formação e o funcionamento de um complexo urbano macro-metropolitano, caracterizado pela urbanização dispersa, e pela fragmentação e reorganização dos usos residenciais, comerciais, industriais e de logística, ao longo dos principais eixos rodoviários do Estado de São Paulo, fenômeno extremamente bem exemplificado pelo caso do corredor urbano identificado pelos autores.

Em seguida, temos um assunto de vocação polêmica: a integração das favelas aos circuitos turísticos oficiais no Rio de Janeiro, e sua relação com as novas políticas de segurança e de integração das comunidades ao espaço urbano dito “formal”, implementadas em parceria entre o governo estadual e a Prefeitura carioca. Trata-se de um artigo que empreende um apanhado geral das problemáticas envolvidas, trazendo à tona questões ainda candentes. O terceiro artigo, também sobre o Rio de Janeiro, enfoca a célebre Rua do Ouvidor e adjacências, centro do comércio elegante no Rio oitocentista, e sua adaptação às políticas de preservação iniciadas com o Corredor Cultural, de um lado, e às demandas do comércio de artigos de vestuário e similares, de outro, o qual, embora voltado a um outro público, continua marcando a ocupação e a vitalidade da região. O texto aponta para um problema recorrente nas nossas políticas de patrimônio: a proteção voltada apenas às fachadas, resultando na perda das ambiências originais e dos valores patrimoniais imateriais a elas associados.

O artigo seguinte traz uma abordagem mais voltada àquele que é ainda um campo de experimentação no ensino de projeto arquitetônico: A aplicação dos princípios e métodos do design thinking nesse campo. Por meio de um exercício experimental, procurou-se demonstrar os potenciais de aplicabilidade dessa metodologia em sala de aula, por meio de um interessante jogo montado com diferentes grupos de alunos.

Dos métodos de projeto mais avançados, passamos aos tradicionais cadernos de desenho e de croquis dos arquitetos, que têm sido objeto de interesse e fascinação desde o Renascimento. Enfocando os cadernos que integram de maneira recorrente a prática profissional e o processo criativo do arquiteto português Eduardo Souto de Moura, o artigo seguinte nos leva numa viagem pela trajetória projetual do arquiteto, abarcando uma série de experiências, impressões, analogias, digressões e ensaios que, registrados em seus cadernos, irão informar uma produção arquitetônica depurada e até austera, porém enriquecida subliminarmente pelos ricos conteúdos compilados nos mesmos.

A arquitetura moderna brasileira têm sido objeto de uma multiplicidade de estudos nas últimas décadas, muitas vezes enfocando as mesmas obras canônicas já consagradas nacional e internacionalmente. Portanto, a revelação de episódios menos conhecidos dessa produção assume interesse especial, como no caso do Pavilhão de Exposições do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, do arquiteto Marcos Heckman, de 1960, apelidado “Mata-Borrão” em virtude de sua inusitada forma elíptica, objeto do sexto artigo em pauta. Tão impactante quanto efêmero, é um episódio que demonstra a capacidade da arquitetura moderna de interferir na paisagem urbana de maneira instigante, estando gravada na memória dos porto-alegrenses até hoje.

Memória e paisagem urbana são também assunto do último trabalho, que finaliza essa trajetória interdisciplinar subjacente à seleção dos artigos. De autoria de uma psicóloga, e derivado de uma pesquisa realizada com seus alunos de graduação junto a crianças de escolas cariocas, envolveu a produção de mapas mentais pelas mesmas, descrevendo seu trajeto cotidiano da casa à escola. Salienta a importância da educação patrimonial em todos os níveis de ensino, e nos revela um universo urbano sui generis, renovado pelo olhar das crianças, as quais, por sua vez, empreendem sua “alfabetização cultural” por meio desse contato mais consciente com a realidade urbana que todos habitamos.

Aos que colaboraram como revisores ad hoc, nossos agradecimentos. E um agradecimento especial aos Professores José Geraldo Simões Junior e Eunice Helena Sguizzardi Abascal, pelas contribuições e sugestões valiosas.

Candido Malta Campos, Editor

Charles C Vincent, Editor Executivo

Helena Rodi Neumann, Assistente Editorial

 

Revisores Ad-Hoc

1. Alvaro Puntoni (FAU / USP)
2. Angélica Alvim (PPGAU / UPM)
3. Carlos Arriagada (FAU / UPM)
4. Carlos Zibel (FAU / USP)
5. Eulalia Negrelos (IAU / USP)
6. Élida Zuffo (UNIP)
7. Eunice Abascal (PPGAU / UPM)
8. Giorgio Giorgi (FAU / USP)
9. José Geraldo Simões Jr. (PPGAU / UPM)
10. Luiz Antonio Cardoso (PPGAU / UFBA)
11. Maria Cristina Schicchi (Unicamp)
12. Marta Bogea (PUC / SP)
13. Mirna Korolkovas
14. Wilson Florio (PPGAU / UPM)


2013

Capa da revista

v. 13, n. 2 (2013)

Apresentação

Neste segundo fascículo de nosso décimo terceiro ano de atividade, os Cadernos de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, continuam com a sua missão, de difundir a produção acadêmica de pesquisadores no âmbito da pós-graduação no Brasil e exterior, através de textos de autoria de alunos, docentes e pesquisadores participantes de cursos de mestrado, doutorado e pós-doutorado.

 

Os dois primeiros artigos tratam de sistemas estruturais na arquitetura. O primeiro deles, da autoria da Prof. Leonora Romano em parceria com alunos da pós-graduação da Universidade de Santa Maria (RS) e da Universidade do Porto,  aborda o estudo do processo evolutivo da arquitetura itinerante, mostrando as variações estéticas, tecnológicas e sua relação com distintos contextos culturais ao longo dos últimos quatro séculos.  O segundo artigo, da autoria dos professores Celia Moretti e Sunao Kishi, da FAU Mackenzie (UPM), aborda as grandes coberturas da arquitetura contemporânea, com ênfase nos casos do Sony Center Berlim) e do Mercado de Santa Caterina Barcelona), onde a forma e a estrutura tem papel relevante frente aso condicionantes de projeto. No Sony Center, o arquiteto aplica conceitos de uma cobertura leve, ousada, cuja forma passa a mensagem de inovação, com aplicação de novos materiais, membranas com teflon e fibra de vidro. Na obra de Barcelona, há a incorporação de considerações tectônicas aplicada na construção da cobertura, valorizando a forma plástica e resgatando a história e a cultura local.

 

O dois artigos seguintes, abordam a temática das áreas informais urbanas. O primeiro, de autoria da docente Maria do Carmo Bezerra, da FAU da Universidade de Brasília,  juntamente com a mestre Yvette Carillo, aborda a questão dos entraves processuais administrativos e jurídicos envolvendo a regularização fundiária em assentamentos precários e áreas de interesse social (ZEIS), apontando para um roteiro operacional que agilize esses processos.  O segundo artigo, das docente Angélica Alvim e Viviane Rubio (UPM), estuda dois casos de projetos de urbanização de favelas: o Bairro Legal (SP) e o Favela-Bairro (RJ), procurando identificar os elementos projetuais que contribuem para a qualificação desses assentamentos e para a integração dessas áreas informais à cidade, buscando a replicabilidade para outros contextos e cidades.

 

No quinto artigo, da autoria de pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Design e Expressão Gráfica da Universidade Federal de Santa Catarina, os docentes Luiz Fernando Gonçalves de Figueiredo e Luiz Salomão Ribas Gomez, em co-autoria com a doutoranda Vania Cardoso e o mestrando Erik Santos, estuda o branding territorial como elemento cultural de suporte ao marketing de uma região, como objetivo de consolidar a identidade e estruturar a marca de um território, reforçando atributos como o desenvolvimento econômico, o potencial turístico, o reconhecimento e difusão do local e estimulando a identificação da população com o lugar onde vivem.

 

O sexto artigo, da pesquisadora Tania Esteves Cardoso, do PROPUR/UFRJ, estuda um tema inovador e interessante: a representação da cidade na obra de desenho em quadrinhos intitulada HQ Portugal. Nessa obra, o autor Cyril Pedrosa representa a vida urbana das cidades portuguesas através da figura caminhante e sua interação com o lugar, seja o espaço físico ou o elemento cultural e social.  Essa interação não é inocente: ao mesmo tempo que recebe estímulos do meio que o rodeia, o personagem provoca uma reação nesse espaço. Este processo permite uma significação do espaço tanto ao nível do autor/caminhante, que experimenta esse local atribuindo-lhe importância, quanto ao leitor/observador que passa a vê-lo com outros olhos, clarificando o complexo mundo urbano e os seus ritmos ao leitor.

 

O sétimo artigo, da autoria de pesquisadores do LAURBE – Laboratório do Ambiente Urbano e Edificado da Universidade Federal da Paraíba, professores José Augusto Ribeiro Silveira, Edson Leite Ribeiro e pesquisador Julio Benigno Segundo, aborda o tema da acessibilidade e da mobilidade como elementos de promoção da reabilitação do espaço urbano, estudando o caso da cidade de João Pessoa, através de suas políticas de transporte público, de uso do solo e de adensamento urbano.

 

O último artigo, da docente Ana Gléria, da Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP), estuda a cidade de Ribeirão Preto e suas transformações urbanísticas e arquitetônicas ocorridas no período 1900-1930, como decorrência do apogeu da economIa cafeeira de exportação e do desenvolvimento do sistema de transporte ferroviário.

 

Por fim, gostaríamos de manifestar em nota neste editorial, o triste episódio do falecimento de nosso conselheiro editorial, membro fundador da revista, professor Manuel Leal da Costa Lobo, professor titular aposentado do Instituto Superior Técnico, da Universidade Técnica de Lisboa, um dos mais importantes e ativos urbanistas de Portugal e nosso parceiro em pesquisas e cursos ao longo de quase 15 anos. Ele nos deixou em maio desse ano, mas sua lembrança estará fortemente presente em todos nós, sobretudo pela sua ultima obra, um relevante estudo sobre as origens da nossa urbanística, produzido e publicado recentemente em parceria entre nossas duas universidades, intitulada Urbanismo de Colina: uma tradição luso-brasileira. Saudades desse nosso grande mestre!

Prof. Dr. José Geraldo Simões Junior, Editor

Prof. Dr. Charles C Vincent, Editor Executivo

 

 

Revisores Ad Hoc:

1. Carlos de Almeida Marques (UTLisboa)
2. Fabiana Generoso de Izaga (UFRJ)
3. Maria Cecilia Loschiavo dos Santos (USP)
4. Lucia Maria Machado Bogus (PUC-SP)
5. Anna Paula Moura Canez  (Uniritter-RS)
6. Maria Cristina da Silva Schicchi  (PUC-Campinas)
7. Fernando Atique  (Unifesp)
8.  Luiz Guilherme Rivera de Castro (UPM)
9. Maria Elisabete Lopes (Uninove)
10. Luiz Cláudio Bittencourt (Unesp-Bauru)

 

 

Zaha Hadid's Bergisel Ski Jump seen from the train station (photo: Charles C Vincent)
Kunsthaus Graz - Peter Cook + Colin Fournier (Photo Charles Vincent)

v. 13, n. 1 (2013)

Iniciando o décimo terceiro ano de existência de nosso periódico, os Cadernos de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie mantém seu objetivo principal, de divulgação das recentes pesquisas no âmbito da pós-graduação do Brasil e exterior, nos campos do projeto de arquitetura, do design e do projeto urbano.

O artigo que abre o fascículo 1, referente ao primeiro semestre do ano de 2013, aborda uma polêmica recente sobre a intervenção na cidade histórica de Sâo Luis do Paraitinga, após a enchente de 2010. Da autoria da prof. Dra. Maria Cristina Schicchi e do mestre Pedro Frazatto Verde, ambos do Programa de Pós-Graduação em Urbanismo da PUC-Campinas. O estudo teve como foco analisar as diretrizes urbanísticas adotadas na reconstrução da cidade, procurando avaliar a efetividade das decisões de intervenção para a melhoria da qualidade de vida de seus moradores. O trabalho é balizado em procedimentos propostos para situações de catástrofes ambientais presentes nas cartas internacionais e na bibliografia crítica sobre o assunto, de forma a se propor, ao final, um quadro síntese com a descrição das ações realizadas e os instrumentos utilizados, servindo como referência para outras cidades que venham a sofrer ocorrências ambientais e processos de reconstrução similares.

 

O segundo artigo, dos pesquisadores Henrique Diniz, Gilda Bruna e Roberto Righi, do PPGAU – Mackenzie, avalia criticamente projetos de Condomínios industriais e iogísticos em São Paulo. A reestruturação produtiva, acentuada após a década de 90, conduziu á otimização dos recursos para produção e tem levado a indústria a constantes adequações nos processos de gestão corporativa, produção e distribuição, com a formulação de novos espaços arquitetônicos e localizações. espaços onde possam compartilhar serviços administrativos e gerenciais, para minimizar seus custos operacionais.

 

O artigo seguinte, da pesquisadora e docente da FAU da Universidade Federal de Minas Gerais, Maria Luiza Castro, estuda o design e a produção moveleira sustentável em indústrias do Amapá,  O artigo contribui para a reflexão sobre as estratégias baseadas em design aplicadas em arranjos produtivos locais, no caso o APL moveleiro do Amapá, discutindo aspectos que foram determinantes para as estratégias aí adotadas, quais sejam, a procura de uma identidade cultural por meio do design e a articulação dos direcionamentos de design com a atividade moveleira como um todo.

 

No artigo sobre sustentabilidade urbana, dos pesquisadores Fernanda Saeta e Carlos Leite, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, busca-se estabelecer novos critérios e sugestões para um desenvolvimento sustentável das metrópoles e de melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. Destaca-se o papel do setor público em relação ao planejamento da cidade e políticas estabelecidas, que foram responsáveis pela forma que os bairros se estabeleceram e se desenvolveram. Desta forma, o artigo propõe a construção de indicadores de sustentabilidade urbana, capazes de avaliar e monitorar a sustentabilidade. Promover a integração da sustentabilidade ao processo de planejamento urbano nas cidades brasileiras através de recomendações para os setores privado e público no desejo de se promover cidades mais sustentáveis.

 

“Na busca de cidades possíveis: as ambiências e a subjetividade como pilares dessa possibilidade” é o título do quinto artigo, da autoria de Elza Lira e Cristiane Duarte, pesquisadoras do PROARQ da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O texto analisa criticamente algumas posturas do discurso urbano atual, onde se afirma que o sentido de pertencimento coletivo  presente na vida nas cidades, já não se apresenta mais como algo possível. Mostram que há uma importante dimensão a ser considerada, apontando para a observação do sujeito que permite afetar-se a partir do (re)conhecimento do outro, podendo ser o outro tanto um sujeito como o próprio lugar. É com base nesse entendimento e a partir da exploração em busca da compreensão das ambiências urbanas, que se propõe compreender o que é necessário para manter a possibilidade efetiva do cotidiano, da essência da vida nas cidades.

 

Na sequência, o artigo de Andreína Nigriello e Rafael Oliveira, divulga e analisa criticamente o método e os resultados de estudo aplicado à Região Metropolitana de São Paulo, para delimitar  Unidades Territoriais Metropolitanas - recortes espaciais caracterizados  em função da dinâmica socioeconômica, da demanda e da carência habitacional e de serviços públicos – cuja  definição objetiva apoiar a elaboração de políticas governamentais de âmbito regional.

Uma reflexão sobre os modelos de Campi Universitários é o tema do artigo de Carla Caires e Eunice Abascal, pesquisadoras do PPGAU-Mackenzie, que tem como objetivo analisar as características de um campus urbano aberto, e suas contribuições para a requalificação do espaço urbano e a criação de uma dimensão coletiva. Elege como objeto de análise o Bairro Universitário de Santiago do Chile (BUS) e a Universidade Diego Portales (UDP), abordando a relação que o conjunto de edifícios que o constitui estabelece com o espaço coletivo e suas características arquitetônicas e urbanísticas, que permitem a articulação desse campus à cidade, como seu elemento requalificador.  

O último artigo, da autoria da dra. Lourdes Peñaranda, da Universidad del Zulia, em Maracaibo, Venezuela, analisa o processo do desenho de paisagem contemporâneo de dez aspectos recorrentes, que conduzem a um desenho eminente baseado na materialidade conseguida pela relatividade própria do lugar com o programa e o tipo do usuário. Esses aspectos apontam para um desenho do estímulo de todos os sentidos, uma aproximação fenomenológica que tenta ir além da facticidade do mundo exterior, para voltar a encontrar-se novamente com ele, em toda a expansão possível de sua especificidade material e espacial. O trabalho é analisado á luz das teorias da fenomenologia da arquitetura e da paisagem.

 

Desta forma, trazemos à luz mais uma contribuição de nosso programa para a divulgação de alguns aspectos da recente pesquisa no campo de pós-graduação em arquitetura e urbanismo, neste fascículo, destacando parte do universo de pesquisadores dos programas de pós graduação brasileiros e latino-americanos.

 

Prof. Dr. José Geraldo Simões Junior
Prof. Dr. Charles C Vincent 

Editores

Revisores Ad Hoc:

  1. Heliana Comin Vargas (USP)Giorgio Giorgi Jr. (USP)
  2. Cyntia Santos Malaguti  de Souza (Senac)
  3. Lucia Elvira Alicia Raffo de Mascaro (UFRGS)
  4. Eduardo Trani (Senac e Faap)
  5. Lucia Maria Machado Bógus (PUC-SP)
  6. Carlos Eduardo Zahn (USP)
  7. José Eduardo de Assis Lefèvre (USP)
  8. Helena Degreas (FIAM/FAAM)
  9. Carlos Andres Arriagada (UPM)

 

 

Capa: Kunsthaus Graz (Peter Cook + Colin Fournier) - Photo Charles Vincent


2012

Capa da revista

v. 12, n. 2 (2012)

Apresentação:

Encerrando o ano de 2012, com este segundo fascículo, os Cadernos de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie continuam com sua missão de divulgar recentes pesquisas no âmbito da pós-graduação do Brasil e exterior, nos campos do projeto de arquitetura e do projeto urbano.

O volume inicia-se com o texto de Pedro Valladares, pesquisador do mestrado em Desenvolvimento Urbano da UFPe, abordando o estudo do sistema defensivo e suas relações com o espaço urbano, no período de ocupação holandesa de Recife, no século XVIII. Tais relações são avaliadas de acordo com os princípios da sintaxe espacial, considerando a área de abrangência que cada fortificação poderia defender e os efeitos desse plano de defesa na estruturação que o espaço da cidade viria assumir posteriormente.

A seguir, Tiago Cunha, doutorando pela Unicamp nos apresenta os resultados de seu estudo sobre a Região Metropolitana de Campinas, onde utiliza indicadores que medem a infraestrutura no entorno de domicílios urbanos, correlacionando-os com os distintos graus de atratividade que geram nos fluxos migratórios para a região.

O terceiro texto, da doutoranda Rossana Tavares, do PROURB-Univ. Federal do Rio de Janeiro analisa as desigualdades de gênero nas cidades, focando mulheres pobres que vivem em favelas do Rio de Janeiro, com o propósito de provocar o debate ainda ausente no campo do urbanismo. O objetivo é contribuir para a constituição de um saber solidário que considere os novos e velhos processos sociais ainda negligenciados pelas análises científicas. Trazer à tona dados, análises e reflexões sobre como as mulheres pobres estão em uma situação de vulnerabilidade diferenciada na cidade, em razão das contradições sociais e culturais de gênero, é uma forma de radicalizar a percepção sobre tal problemática e provocar a emancipação do nosso modo de produção do conhecimento.

O artigo seguinte, da autoria das pesquisadoras Margarida Gomes, Patricia Farias, ambas da UFRJ e Martha Cordeiro, do Instituto Federal Fluminense, apresenta um caso de reassentamento ocorrido em Campos dos Goytacazes, norte do Estado do Rio de Janeiro. Busca expor os desafios enfrentados pelos moradores para solucionar seu problema de moradia num loteamento periférico, próximo ao lixão da cidade e sem nenhuma infraestrutura, analisando a questão a partir de um quadro teórico de referência que leve em conta o direito à moradia e o direito à cidade.

Laura Machado e Rodrigo Merlino, pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, propõem um Índice de Mobilidade Urbana Sustentável (IMS) construído a partir de indicadores alimentados por dados anuais fornecidos por instituições brasileiras. O IMS foi aplicado em dez dos 31 municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA) e revelou as deficiências no planejamento e na gestão da mobilidade regional. Em âmbito municipal, revelou a fragilidade do poder público diante das operadoras do transporte coletivo urbano e a ausência de diretrizes de promoção e do controle do transporte não-motorizado.

O sexto artigo, de Dianna Amaral, pesquisadora da Universidade de Brasília, analisa a transformação do programa e dos espaços de museus nos últimos setenta anos no Brasil a partir observação de duas instituições: o Museu das Missões e a Fundação Iberê Camargo. Ambas situam-se no mesmo Estado, o Rio Grande do Sul, e foram concebidas para ser museu por arquitetos renomados — Lúcio Costa e Álvaro Siza, respectivamente. No entanto, diferem-se na medida em que respondem a demandas relacionadas com a época da consolidação de cada uma. A partir dessas diferenças, é possível observar importantes conceitos que se aplicam na discussão atual sobre museus.

O trabalho de Jessica Tardivo e Tatiane Moreira, da Unicep de São Carlos, analisa o Movimento Metabolista que se desenvolveu no Japão na segunda metade do século XX. A partir dos anos 60, um grupo de jovens arquitetos e críticos apresenta um novo ideário projetual, inspirado no design tradicional japonês, na arquitetura pop e em Le Corbusier. O nome Metabolismo pretendia sugerir uma abordagem biológica do design, nos edifícios e cidades que cresciam para fazer frente às novas exigências de uma maneira paralela à natureza, fazendo uso pleno das mais recentes e inovadores tecnologias de construção e formas de comunicação e exibindo, de início, uma serie de projetos imaginários. O artigo discorre tendo como objeto de estudo a Torre Cápsula do arquiteto Kurokawa, uma das únicas edificações concluídas no ideário desse movimento.

O texto de encerramento do fascículo, da autoria do professor Carlos Egídio Alonso, da USP e UPM, apresenta alguns resultados das atividades do Grupo de Pesquisa “Signagem da Arquitetura Contemporânea”. O ensaio enfatiza a necessidade de experimentação dos materiais que são utilizados na execução de projetos. No plano da pesquisa e do ensino, demonstra a necessidade das especulações formais com a finalidade de ampliar o repertório formal e técnico do estudante, bem como o estabelecimento de novas metodologias de pesquisa. Dessa maneira, parte do pressuposto que essa experimentação direta da materialidade antecede ao desenho: alerta que o projeto gráfico (desenho), pensado a partir de um repertório estabelecido, é limitado por este. Resulta que as representações, através dos vários recursos do desenho, muita vezes são precárias perante a complexidade do objeto concebido.

Com estes oito artigos, concluímos os fascículos de 2012, apresentando estudos e resultados de pesquisas que se realizam nos âmbitos de programas de pós-graduação no Brasil.

Nossos agradecimentos a toda a equipe de colaboradores desta edição, em especial aos pareceristas ad-hoc, que garantiram a qualidade de nosso processo de avaliação.

José Geraldo Simões Junior, Editor
Charles C. Vincent, Editor Executivo

Helena Rodi Neumann, Assistente de Edição

Nelson Luis Barbosa, Revisor de língua portuguesa.

Revisores Ad Hoc:

Nilce Aravecchia (Escola da Cidade) Decio Rigatti (UFRS)
Marly Namur (USP)
Helena Ayoub Silva (USP)
Wilson Ribeiro dos Santos Junior (PUC-Camp)
Ana Gabriela Godinho Lima (UPM)
Marta Silveira Peixoto (Uniritter)
Silvana Maria Zione (UFABC)
Paula Raquel Vendramini (UPM)
Eulália Portela Negrelos (USP-São Carlos)
Maria Lucia Bressan Pinheiro (USP)
Anna Paula Moura Cañez (Uniritter)
Luis Octavio de Faria e Silva (Univ. São Judas)
Virginia Costa Marcelo (Univ. Gama Filho)
Lia Mayumi (UNIB)

Cover: Mur Island Graz, Austria (Murinzel) - Architecture: Acconci Studio - Photo: Charles C Vincent

Capa da revista

v. 12, n. 1 (2012)

Neste ano de 2012, os Cadernos de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie continuam com sua missão de divulgar recentes pesquisas no âmbito da pós-graduação do Brasil e exterior, nos campos do projeto de arquitetura e do projeto urbano.

Este primeiro fascículo, inicia-se com o texto de Francisco Scagliusi (doutorando da FAU-Universidade de São Paulo), abordando questões da modernidade e pós-modernidade pensadas no âmbito das esferas do público e do privado, refletindo sobre como essas concepções têm operado no plano das intervenções urbanas.

A seguir, em Cidade Digital e Ciberespaço, do prof. Paulo Tadeu Leite Arantes e de Maria de Lourdes Pinheiro de Azevedo (Universidade Federal de Viçosa) apresenta-se uma reflexão teórica delimitando os conceitos a partir de uma revisão da literatura internacional sobre o tema, apontando também aspectos que devem ser superados para a implantação exitosa desses modelos urbanos, de forma a se evitar a mercantilização da informação e a polarização do acesso, criando condições para a participação e envolvimento de todos com os problemas e desafios da cidade real e das comunidades onde elas vivem.

No terceiro artigo, o arquiteto e professor Sérgio Ferraz Magalhães, da FAU-Universidade Federal do Rio de Janeiro, discute em Cidade, Desejo e Rejeição, a ideia da cidade como instância pública, que se opõe à cidade em sua dimensão privada, modelo difundido por empreendimentos isolados, e pela dispersão e fragmentação contemporâneas. Tal compreensão representa uma rejeição à cidade, levando, no limite, à anticidade. Na modernidade predomina a visão hegemônica onde o Planejamento é o instrumento de condução da cidade ordenada, regulada. A definição de volumes a partir do lote, valorizando o edifício autônomo, transfere parte da forma urbana para a instância privada. Políticas de integração urbanístico-social de assentamentos populares reforçam a noção de cidade como instância pública. Ao reconhecer as preexistências urbanísticas e ambientais, elas potencializam os esforços que famílias pobres realizaram na concretização de seu desejo de cidade.

No quarto artigo, Ana Paula Medeiros, doutoranda do PROURB-UFRJ, apresenta uma reflexão sobre o papel dos espaços públicos nos projetos urbanos, a influência do Estado na concepção de políticas públicas que privilegiem esses espaços e a importância das estratégias de participação para a elaboração de projetos melhores, mais inclusivos e que gerem maior grau de apropriação por parte de seus usuários. São avaliados os conceitos de espaço público e sua apropriação pelo campo do urbanismo, bem como o de participação, analisando-se as transformações pelas quais passam os espaços públicos, em suas dimensões formais e de significado na cidade.

A seguir, o texto de Giuliana Sampaio e da prof. Eunice Abascal, pesquisadoras do PPGAU da Universidade Presbiteriana Mackenzie, aborda as novas dinâmicas do morar paulistano a partir do estudo dos condomínios residenciais verticais na cidade. O mercado imobiliário, aproveitando-se do medo da violência, procura vender a ideia de que morar em um condomínio fechado proporcionará ao usuário mais segurança e lazer. Esse produto imobiliário, hoje bastante valorizado, é estudado em suas características arquitetônico-urbanísticas, através da seleção de alguns empreendimentos, a fim de identificar características comuns que justificam a denominação a eles conferida pelo mercado imobiliário, de “condomínios-clube”, fato que contribui significativamente para a desvalorização dos espaços públicos da cidade.

Dessa mesma instituição, provém o artigo das pesquisadoras Nadia Somekh e Ana Carolina Galhardo, que analisa fenômeno similar ocorrido no bairro de Interlagos: o da perda da urbanidade como decorrência da implantação de condomínios fechados nos grandes lotes advindos do parcelamento original do bairro.

Gianfranco Alves e Anja Pratscke, pesquisadores do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da USP- São Carlos são os autores do artigo Processos de Criação, Emergência e Parametrização em Arquitetura, onde discutem possibilidades para os processos digitais de criação arquitetônica no que diz respeito à flexibilidade e recursividade. Partindo da hipótese de que as teorias e concepções praticadas em muitas escolas e escritórios de arquitetura não são mais suficientes metodologicamente para dar conta das complexidades e das demandas advindas dos modos de vida contemporâneos, estabelece-se uma relação entre o meio ambiente construído, o conceito de emergência e a base de uma cultura digital nos processos de criação paramétricos em arquitetura, incluindo a descrição da uma experimentação que utiliza como suporte teórico a Cibernética de Segunda Ordem.

Por fim, o artigo do prof. Valter Caldana, do PPGAU-Mackenzie, apresenta instigante reflexão sobre a pesquisa em arquitetura e urbanismo, particularmente a pesquisa em projeto, considerados o ensino, a própria pesquisa e a prática profissional. A partir da compreensão de que o processo de elaboração do projeto de arquitetura e urbanismo é um espaço privilegiado para o exercício do binômio invenção/experimentação, considera-se que o fazer e a busca da materialização da Arquitetura é o fio condutor e o elemento de ligação entre três universos interdependentes - o ensino, a pesquisa e a prática - tríade pós-vitruviana cuja resultante define a inserção social da arquitetura e urbanismo como campo do conhecimento e instrumento de desenvolvimento humano. Desta forma, estes oito artigos refletem uma amostra do perfil atual que pesquisadores na área de Arquitetura e Urbanismo vem desenvolvendo junto a Programas de Pós-Graduação. Neste sentido, é relevante a divulgação deste material, não só em periódicos especializados como este, como também em eventos científicos e redes de pesquisa, para que nossa área de conhecimento adquira visibilidade e maior inserção nos meios científicos nacional e internacional.

Nossos agradecimentos a toda a equipe de colaboradores desta edição, em especial aos pareceristas ad-hoc, que garantiram a qualidade de nosso processo de avaliação.

José Geraldo Simões Junior, Editor
Charles C. Vincent, Editor Executivo

Helena Rodi Neumann, Assistente de Edição

Nelson Luis Barbosa, Revisor de língua portuguesa.

Revisores Ad Hoc:

Adalberto Retto Junior (UNESP-Bauru)
Antonio Ferreira Colchete Filho (UFJuiz de Fora-MG)
Carlos Leite de Souza (UPM)
Carlos Roberto Monteiro de Andrade (USP-São Carlos)
Heliana Comin Vargas (USP)
José Eduardo de Assis Lefevre (USP)
Luiz Augusto Maia Costa (PUC-Campinas)
Nadia Somekh (UPM) Sheila Ornstein (USP)
Virgínia Célia Costa Marcelo (Univ. Gama Filho-RJ)

Cover: Mumuth ( Universität für Musik und Darstellende Kunst Graz) - Architecture: UN Studio - Photo: Charles C Vincent


2011

Capa da revista

v. 11, n. 2 (2011)

Neste segundo fascículo do ano de 2011, o Caderno de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie continua em sua trajetória com a missão de apresentar a produção recente de pesquisadores brasileiros nos campos do projeto de arquitetura e do projeto urbano.
Estes dez artigos são uma pequena amostra do perfil atual e dos temas que esses pesquisadores vem desenvolvendo junto a Programas de Pós-Graduação, tanto em Arquitetura e Urbanismo como em campos disciplinares correlatos.
Neste sentido, é relevante a divulgação deste material, não só em periódicos especializados como este, mas também em eventos científicos e redes de pesquisa, para que nossa área de conhecimento adquira visibilidade e maior inserção nos meios científicos nacional e internacional.

No primeiro artigo, da professora Rita Giraldi, da Escola de Artes, Ciência e Humanidades da USP, “O lazer e a cidade na pós-modernidade - do espaço material ao imaterial” apresenta-se uma reflexão acerca das atuais práticas dos lazeres urbanos, onde a tecnologia possui um papel significativo e interventor. Partindo-se da concepção clássica dos lazeres, analisa-se como essa prática se expressa na atual sociedade informacional, o que implica na reavaliação desses espaços e na sua re-conceituação, sejam eles inseridos no contexto urbano, seja no ambiente virtual.

O artigo de Carlos Leite, docente da FAU-Mackenzie, procura imaginar um futuro mais sustentável para uma megacidade como São Paulo, a partir do entendimento de que essa metrópole possa ser composta por várias cidades dentro dela, cada uma com seus diferentes contextos territoriais, densidades, oportunidades e demandas, todas articuladas através de um processo de gestão inteligente.

Este caráter multifacetado é justamente aquele que impõe os maiores desafios para essa gestão, relacionados a questões como mobilidade, qualidade ambiental, habitação, governança e integração com os territórios de pobreza, implicando em uma nova abordagem, onde se valorize as mudanças massivas e a reinvenção das formas tradicionais de intervenção urbana.

No terceiro artigo, elaborado por um grupo de pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba, aborda-se conceitualmente um fenômeno de grande relevância no contexto urbano contemporâneo: o vazio urbano”. Essa expressão, à luz da investigação teórica, apresenta uma série de definições, em conjunturas diversas e com objetivos distintos, que irão permear a discussão ao longo do texto.

No artigo seguinte, assinado pelas professoras Clarissa Duarte Câmara e Maria de Lourdes Nóbrega, da UFPe, discute-se o uso e o planejamento dos espaços públicos de circulação em cidades contemporâneas, com destaque para a cidade do Recife. Por meio da observação em campo e de estudo das legislações existentes, apresentam um quadro com o objetivo de auxiliar o planejamento e a gestão desses espaços, de forma a promover maior qualidade urbana e ambiental. A relevância desses espaços torna-se cada vez mais evidente na prática e expressão da vida coletiva, uma vez que se constituem nos palcos das trocas sociais no cotidiano contemporâneo.

Nos dois artigos seguintes, advindos de pesquisadores e docentes da PUC-Campinas, aborda-se a temática da história urbana.

O primeiro deles, da autoria de Ivone Salgado e Dirceu Piccinato, discute-se o saber técnico de profissionais engenheiros envolvidos nos processos de urbanização do oeste paulista, com estudo de caso para as cidades de Cristais Paulista e Orlândia. A ênfase da análise é sobre a nova escala do saber, o ensino da profissão, e a práxis sobre o urbano, adotadas pelos engenheiros no final do século XIX, pautada pelos conhecimentos sistemáticos e marcada pelo progresso técnico.

Já no artigo seguinte, da autoria do prof. Luiz Augusto Maia Costa, é analisada a vida e a obra do engenheiro e urbanista Victor da Silva Freire, que foi o Diretor de Obras Municipais da cidade de São Paulo por um período de quase trinta anos (1899-1926), contribuindo decisivamente para as decisões de planejamento e as diretrizes de expansão assumidas por essa cidade.

No sétimo artigo deste Caderno, Ângela Rodrigues apresenta o trabalho “Fábrica e Ideologia” onde analisa como o ideário da arquitetura moderna internacional foi incorporado à arquitetura fabril desenvolvida na capital paulista no período da Primeira República. Aspectos como funcionalidade, redução de custos, modulação estrutural e padronização das aberturas expressam essas referências.

No texto seguinte, o pesquisador Rodrigo Kamimura, da FAU-USP estuda a obra do grupo inglês Archigram, e sua produção coletiva ao longo dos anos de 1961 a 1974. A ênfase é sobre o projeto e a imagem da variedade e da multiplicidade propostos para a Plug-In City, elaborado por Peter Cook, integrante desse grupo. Busca-se, dessa forma, a confrontação com a complexidade dos processos de produção metropolitanos que muitas vezes escapam à dimensão reguladora do desenho arquitetônico — articulando-se, ao invés disso, com outras formas de comunicação, expansão e integração sistêmica.

Em “Arquitetura e Expografia”, Paulo Roberto Sabino, docente da UFMG, analisa a arquitetura de museus, a expografia e o objeto da exposição, por meio das relações e influências entre esses elementos, estudados a partir de vinte instituições culturais localizadas na cidade de São Paulo.

E, por fim, o artigo de Alexandre Mascarenhas abordando um tema pouco explorado: a arquitetura russa do século XVIII, mais especialmente a da cidade de São Petersburgo na época de seu apogeu. A localização dessa capital, ao extremo norte do país, bem próximo ao golfo da Finlândia, facilita a aproximação econômica e cultural com a Europa, contribuindo para a renovação da arquitetura russa e sua tradição bizantina, desenvolvendo edificações inspiradas nos estilos europeus vigentes na época, como o barroco, o rococó e o classicismo, marcadas por uma mescla com elementos tradicionais russos.

Esses dez artigos, em sua multiplicidade temática, expressam portanto uma parcela do que os programas de pós-graduação, através da pesquisa de seus docentes e alunos, vem produzindo, mostrando o avanço de nosso campo disciplinar e as conexões com outros campos na área de ciências humanas e tecnológicas.

Por fim, gostaríamos de expressar nossos agradecimentos a toda a equipe de colaboradores desta edição, em especial aos pareceristas ad-hoc, que garantiram a qualidade de nosso processo de avaliação.

José Geraldo Simões Junior, Editor Acadêmico
Charles C. Vincent,

Editor Executivo Verônica Polzer, Assistente de Edição
Adriana Barbosa, Assistente de Edição

Nelson Luis Barbosa, Revisor de língua portuguesa

Revisores Ad Hoc:
Pedro Paulo Palazzo
Rogério de Castro Oliveira Luiz Amorim
Theresa Christina dos Santos Carvalho
Ceça Guimaraens
Cristina Schicchi
José dos Santos Cabral Filho
Carlo Roberto Monteiro de Andrade
Eliane da Silva Bessa
Maria Assunção Ribeiro Franco
Sara Kahtouni

Capa: Roche Diagnostics Graz GmbH (projeto Ernst Giselbrecht + Partner architektur zt gmbh) (foto: Charles C Vincent)

Capa da revista

v. 11, n. 1 (2011)

Os Cadernos de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie trazem neste ano de 2011 dois fascículos, divulgando a produção recente de pesquisadores brasileiros e internacionais nos campos do projeto de arquitetura e do projeto urbano.

Neste volume 1 apresentamos inicialmente o artigo do prof. João de Souza Morais, catedrático da FAU - Universidade Técnica de Lisboa, abordando o significado do termo Projeto Urbano, desde sua gênese até as recentes abordagens conceituais e programáticas associadas ao desenho urbano.

O segundo artigo, do Prof. Pedro Antônio Janeiro, também da FAU - Universidade Técnica de Lisboa, discute as correlações entre desenho, estética e anestesia no processo cognitivo, de percepção e de criação no ato do projetar. Destaca, neste contexto, a recente substituição da manualidade no desenho como processo de pensar a arquitetura, pela representação digital. Perde-se, desta forma, um contato com a materialidade da arquitetura e portanto com a sua presença enquanto coisa física sujeita à gravidade. Assim, como o autor diz, “o arquiteto esqueceu-se do corpo, contando com a sua capacidade de aderência às construções estetizadas que protagoniza seduzindo o próprio corpo. Estetizou-se o mundo, ofuscou-se o sujeito com imagens de toda a ordem e origem.

E em resposta às solicitações do mundo estetizado que o seduz e embriaga, o sujeito responde desencadeando uma anestesia compensatória como proteção contra esta sobre-estimulação”. Este artigo dialoga com o seguinte, de Marcela Almeida, doutoranda pela Universidade Federal de Minas Gerais, que aborda essas mesmas correlações entre o processo projetual e o advento das novas tecnologias digitais, mas agora analisadas à luz do pensamento do filósofo tcheco-brasileiro Vilém Flusser. Nesta reflexão, discute-se a condição da arquitetura nos dias de hoje, inerente à abordagem de questões associadas,como a automação, a geração, a interação, a representação e a metodologia do design.

O quarto artigo, da autoria da mestranda Cláudia Titton em parceria com seu orientador, o prof. Carlos Leite, da Universidade Mackenzie, apresenta uma reflexão sobre o papel da arquitetura e do urbanismo enquanto instrumentos de ação e transformação na cidade contemporânea, situando-os frente às novas dimensões encontradas nesses territórios, como a fragmentação, o retalhamento, a desarticulação, os vazios urbanos, a fluidez e as articulações com a rede de fluxos.

Complementando esta temática, o quinto artigo, da autoria de Ramon Carvalho e Luis Cesar do Amaral, pesquisadores e doutorandos da Universidade Federal do Rio de Janeiro, discute-se a arquitetura emblemática produzida recentemente no Rio de Janeiro, onde se destaca a presença de arquitetos integrantes do star system internacional. Analisa-se os casos dos projetos Cidade da Música, do arquiteto francês Christian de Potzamparc, na Barra da Tijuca, e do Museu do Amanhã, do espanhol Santiago Calatrava. na Zona Portuária, ambos em construção. Através destes exemplos pretende-se discutir os sentidos da presença desses projetos emblemáticos na cidade do Rio de Janeiro, a sua apreensão simbólica, a sua a incorporação no cotidiano de uma cidade em constante mutação, receptora de fluxos e intercâmbios, com o objetivo estratégico de legitimação do Rio na ambiência internacional das cidades globais.

O sexto artigo, ainda sobre o contexto carioca, já aborda os projetos urbanos no contexto regional. A sua autora, Ana Luiza Toffano, mestranda da Universidade Federal Fluminense, analisa os GPU’s (Grandes Projetos Urbanos) e seus impactos na região da OMPETRO e do CONLESTE por influência da indistria petroleira aí instalada.

Turismo em favelas do Rio de Janeiro é o tema do sétimo artigo, desenvolvido pelos pesquisadores Helga Santos e Mariana Laércio, da Universidade Gama Filho. Intervenções urbanísticas conduzidas pelo governo, com a finalidade de promoção de atividades turísticas são analisadas para os casos das favelas Morro da Providencia e Nova Brasília - a primeira delas localizada na área central da cidade, e a outra na periferia. No Morro da Providencia, pelas sua relevância histórica, a abordagem foi próxima à da musealização, onde ruas estreitas da favela e os espaços públicos foram transformadas em percursos demarcados, por onde os turistas podem caminhar, contemplar a paisagem e a vista da área central da cidade. No caso de Nova Brasília foi o cotidiano que exerceu maior potencial de atração turística, onde privilegiou-se a implantação de equipamentos públicos destinados à educação e cultura, destacando-se a construção de um cinema 3D.

No oitavo artigo apresenta-se um interessante estudo historiográfico sobre as ruas da cidade de São Paulo. O seu autor, Felipe Pissardo, mestrado da FAU- Universidade de São Paulo procura evidenciar as principais questões contemporâneas que surgem nessa reflexão, adotando uma abordagem multidisciplinar, onde paisagismo, urbanismo, antropologia, arquitetura, comunicação, história e geografia contribuem para o entendimento desse objeto de estudo.

Por fim, o nono artigo do grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte Gleice Azambuja Elali, Gielson Nepomuceno Montenegro e Luis Antonio Vidal de Negreiros Gomes, aborda um importante aspecto relacionado ao projeto do design: o conceito de affordance, - valorização das interfaces entre as características primordiais do objeto e a identidade cultural do usuário - analisando as implicações no projeto de elementos de mobiliário urbano destinados aos espaços públicos dos centros das cidades. Estes nove artigos são uma pequena amostra do perfil atual que pesquisadores na área de Arquitetura e Urbanismo vem desenvolvendo junto a Programas de Pós-Graduação. Neste sentido, é relevante a divulgação deste material, não só em periódicos especializados como este, como também em eventos científicos e redes de pesquisa, para que nossa área de conhecimento adquira visibilidade e maior inserção nos meios científicos nacional e internacional.

Nossos agradecimentos a toda a equipe de colaboradores desta edição, em especial aos pareceristas ad-hoc, que garantiram a qualidade de nosso processo de avaliação.

José Geraldo Simões Junior, Editor 
Angélica Tanus Benatti Alvim, Editor 
Charles C. Vincent, Editor Executivo

Verônica Polzer, Assistente de Edição Adriana Barbosa, colaboradora

Nelson Luis Barbosa, Revisor de língua portuguesa.

Revisores Ad Hoc 
Abílio da Silva Guerra Neto, Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) 
Ana Lucia Nogueira de Paiva Britto, Universidade Federal do RJ (UFRJ) 
Antonio Ferreira Colchete Filho, Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) 
Carlos Eduardo Zahn, Universidade de São Paulo (USP) 
Carlos Leite, Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) 
Cêça Guimaraens, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) 
Eliane Ribeiro de Almeida da Silva Bessa, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) 
Eulália Negrelos Portela, Instituto de Arquitetura e Urbanismo (USP) 
Laura Machado de Mello Bueno, Pontíficia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) 
Lúcia Elvira Alicia Raffo de Mascaró Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS) 
Luís Antônio Jorge, Universidade de São Paulo (USP) 
Maria Augusta Justi Pisani, Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) 
Maria Cristina da Silva Schicchi, Pontíficia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) 
Maria Isabel Villac, Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) 
Marta Dora Grostein, Universidade de São Paulo (USP) 
Marta Silveira Peixoto, Centro Universitário Ritter dos Reis (UNIRITTER) 
Marta Vieira Bogéa, Pontíficia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) 
Paola Berenstein Jacques, Universidade Federal da Bahia (UFBA) 
Roberto Righi, Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) 
Saide Kahtouni, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) 
Silvia Helena Facciolla Passarelli, Universidade Federal do ABC 
Sylvia Ficher, Universidade de Brasília (UNB) 
Tâmara Tania Cohen Egler, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) 
Thereza Christina Couto Carvalho, Universidade Federal Fluminense (UFF)

Capa: Nordpark Cable Railway, Innsbruck (Projeto: Zaha Hadid) (foto: Charles C Vincent)


2010

v. 10, n. 1 (2010)

Edição de 2010, Números 1 e 2 / 2010 Edition, numbers 1 & 2

2009

v. 9, n. 1 (2009)

Edição de 2009, Números 1 e 2 / 2009 Second Edition, numbers 1 & 2


2007

Capa da revista

v. 7, n. 1 (2007)

FOREWORD
This is the 2007 volume of the Graduate Journal of the Architecture and Urban
Planning School, Presbyterian University Mackenzie, which is now open to external
contributions.
The themes presented show: the use of 3D models for the study of cities and its
transformations; a comparative study of the tertiary sector in Mexico City and São
Paulo urban areas, aiming the design of urban environmental public policies; the
undergoing research on information technology applied to architectural and urban design; the multidisciplinary issues involved on the environmental quality analysis, picturing the theories of perception, memory of space and gestalt of the city; the study of the Arabic culture influence in Brazilian architecture; the sustainable design for poor communities in São Paulo, done by Brazilian and Italian design students.
Also, there is a reprint of a very important review on the first two volumes of Arquiteses, published by FAUUSP, which includes the best thesis and dissertations produced in its graduate program.

EDITORIAL
Este é o volume de 2007 do Caderno de Pós-Graduação da Faculdade de
Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, que agora é
aberta a contribuições externas.
Os temas que apresentamos abrangem: o uso de modelagem 3D para o estudo de cidades e suas transformações; um estudo comparativo do setor terciário superior nas cidades do México e São Paulo, objetivando a concepção de políticas urbanas públicas; uma pesquisa em andamento sobre a aplicação de tecnologias da informação em projeto de arquitetura e urbanismo; as questões multidisciplinares observadas na análise de qualidade ambiental, enfocando as teorias da percepção, memória espacial e Gestalt da cidade; o estudo da influência da cultura arábica na arquitetura brasileira; o design sustentável em comunidades carentes de São Paulo, produzido por estudantes de design brasileiros e italianos.
Além disso, temos também a republicação de uma importante resenha sobre os primeiros dois volumes do Arquiteses, publicação da FAUUSP, que inclui as melhores Dissertações e Teses do programa de Pós-Graduação daquela escola.

Gilda Collet Bruna




1 a 20 de 22 itens     1 2 > >>