Mata-Borrão: Um Grande Olho de Madeira no Centro da Porto Alegre de 1960

Autores

  • Anna Paula Moura Canez Centro Universitário Ritter dos Reis Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo

Palavras-chave:

Arquitetura de Madeira, Pavilhão de Exposições, Arquitetura Moderna

Resumo

Erguido em 1960 no centro de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, o Pavilhão de Exposições do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, do arquiteto Marcos David Heckman, todo em madeira, tornou-se um edifício icônico na memória do porto-alegrense.
Conhecido popularmente à época como “Mata-Borrão”, por conta de sua inusitada forma elíptica, respondia à demanda do governador Leonel Brizola de expor as realizações de seu governo, notadamente no campo escolar, como as escolas ou “brizoletas” também construídas em madeira. Oscar Niemeyer já havia ensaiado forma semelhante em seu projeto para o auditório do Liceu Belo Horizonte, em 1954, embora com solução construtiva completamente diferente, em concreto armado. Heckman adotou, no pavilhão, o tradicional material da madeira, porém com solução formal e estrutural nada convencionais, ao explorar a geometria curva, a permeabilidade e a transparência das superfícies, dotando o edifício de extrema leveza, que contrastava fortemente com seu
entorno. O impactante porém efêmero pavilhão, até hoje lembrado pela população, foi o resultado da conjuntura política, da liberdade permitida pela arquitetura efêmera, da opção pela madeira e das alusões de seu autor à arquitetura moderna brasileira.

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Biografia do Autor

Anna Paula Moura Canez, Centro Universitário Ritter dos Reis Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo

Possui graduação em Arquitetura - UFRGS (1988). Em 1989 foi premiada na primeira edição do Concurso Ópera Prima para formandos em arquitetura. Realizou mestrado (1996) e doutorado (2006) em Teoria, História e Crítica da Arquitetura - PROPAR/UFRGS - com a tese orientada por Fernando Freitas Fuão intitulada, "Arnaldo Gladosch: o edifício e a metrópole. Atualmente atua como arquiteta colaboradora de escritório de arquitetura e professora titular e pesquisadora do Centro Universitário Ritter dos Reis desde 1990, coordenadora geral do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo - Mestrado Associado UniRitter/Mackenzie e líder de grupo de pesquisa "Lucio Costa: Obra Completa". Tem experiência na área da arquitetura e do urbanismo, com ênfase no projeto da edificação, atuando em pesquisa principalmente no tema do projeto de arquitetura e arquitetos brasileiros do século XX. É autora dos livros, "Fernando Corona e os caminhos da arquitetura moderna em Porto Alegre" e "Arnaldo Gladosch: o edifício e a metrópole"; co-autora dos títulos, "Acervos Azevedo Moura e Gertum e João Alberto: imagem e construção da modernidade em Porto Alegre", "Arquiteturas Cisplatinas: Roman Fresnedo Siri e Eladio Dieste em Porto Alegre" e "Composição, partido e programa: uma visão crítica de conceitos em mutação". Em 2007 coordenou a edição fac-similar do livro "Lúcio Costa: sôbre arquitetura" organizado por Alberto Xavier.

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Publicado

2015-04-16

Como Citar

CANEZ, A. P. M. Mata-Borrão: Um Grande Olho de Madeira no Centro da Porto Alegre de 1960. Cadernos de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, [S. l.], v. 14, n. 1, p. 17, 2015. Disponível em: http://editorarevistas.mackenzie.br/index.php/cpgau/article/view/CANEZ.2014.1. Acesso em: 22 jul. 2024.

Edição

Seção

Artigos