O problema do mal pela ótica religiosa
DOI:
https://doi.org/10.5935/2317-2622/direitomackenzie.v2n17166Abstract
Algumas questões, por mais polêmicas e controvertidas que pareçam, merecem análise e estudo, tendo em vista oferecer ao ser humano uma interpretação compreensível, coerente e a mais fidedigna possível.
Desprezar a presença do mal seria imprudência; ignorá-lo, seria ingenuidade; incentivá-lo, seria insensatez; todavia, supervalorizá-lo significa o caos, a desordem social e a desestruturação do ser humano.
Vivemos sob tensão, diante do medo e sobressalto, por considerarmos a força do mal ameaçadora e incontrolável. Atribui-se às forças malignas tudo o que é desastroso e horripilante. O mal passa a ser a justificativa para a prática da injustiça e das atitudes incoerentes e desumanas. Fracasso e irresponsabilidade são atribuições das forças malignas, procurando-se isentar os infratores.
O mal é algo identificado como força externa ou como algo que se interioriza no próprio ser humano. Muitas vezes, surge como influência direta de um ou vários seres imateriais, opostos ao Deus Criador, ou à divindade principal. É apresentado como oposto ao bem, representado por demônios ou espíritos malignos. Segundo Eliade (1991, p.34):
"As sociedades arcaicas e tradicionais percebm o mundo que as cerca como um microcosmo. Nos limites desse mundo fechado começa o domínio do desconhecido, do não formado. De um lado existe o espaço comicizado, habitado e organizado; do outro lado, a região desconhecida e temível dos demônios, dos mortos e dos estranhos, ou seja, o caos, a morte e a noite [...] os inimigos do território habitado e organizado são identificados como as forças demoníacas, que provocam o estado caótico."
A respeito do imaginário popular sobre o mal, Souza (1993, p.263) fez interessante pesquisa para analisar as diferentes figuras e manifestações do demônio ou maus espíritos. É atribuído ao demônio tudo o que causa desordem, desgraça, doença e morte. Não há explicações racionais, filosóficas, sociológicas ou teológicas, mas há uma fantasia no imaginário popular, rica em figuras, cores e símbolos.
Os ensinamentos religiosos judaico-cristãos, bem como as interpretações de outros grupos religiosos, tratam do problema do mal nos relacionamentos com as divindades e na convivência humana. O mal está presente nos relacionamentos com as divindades e na convivência humana. O mal está presente nos relacionamentos como aquela força desafiadora, provocadora e, muitas vezes, opositora.
Nossa análise se limita ao contexto da Bíblia Sagrada, entendendo que há inúmeras interpretações dos diferentes grupos religiosos. Mesmo tendo como referencial a Bíblia Sagrada, queremos nos ater aos conceitos judaico-cristãos.
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