Querer ficar, querer sair: a ambivalência da internação psiquiátrica

Juliana Oliveira Camilo

Resumo


A dicotomia entre querer sair e querer ficar no manicômio parecem fazer parte da vida de muitas usuárias e usuários de serviços de saúde mental. Neste texto será discutida esta problemática, destacando os principais impasses relatados por algumas usuárias quando estavam internadas em um hospital psiquiátrico da cidade de São Paulo, entre os anos de 2005 a 2007. A análise do conteúdo foi sustentada a partir da perspectiva do construcionismo social. Este estudo, conclui que a falta de uma rede de apoio extramuros integrada, além de internações psiquiátricas recorrentes, dificultam a reinserção social e abrem espaço para o “querer ficar internado”. No entanto, este suposto desejo não está isento de sofrimento. As falas, marcadas por rostos entristecidos, lapsos de linguagem ou lágrimas, clamam pela reconstrução de sua cidadania e autonomia, possível apenas pelas condições propícias para o “poder” sair.

 

Palavras-chave: saúde mental; reforma psiquiátrica; serviços de saúde mental; construcionismo social; pesquisa qualitativa

 

 


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ISSN 1980-6906 (on-line)