Instrumentos de avaliação do estigma percebido e estigma experienciado na doença mental: Uma revisão sistemática

Resumo

Objetivando investigar quais instrumentos são mais utilizados na mensuração do estigma da doença mental (EDM) percebido e experienciado por adultos, e quais variáveis podem moderar ou interferir nos resultados da mensuração, 101 artigos foram sistematicamente selecionados nas bases de dados eletrônicas (MEDLINE/PubMed, Scopus, EBSCO, Web of Science e PsycINFO). Os resultados revelaram que existem cinco instrumentos comumente utilizados para medir o EDM. Ao considerar os efeitos associativos mais testados e reportados sobre o estigma, idade e severidade dos sintomas foram apontadas como variáveis potencialmente intervenientes. Outras variáveis, como sexo, diagnóstico e regime de tratamento (internamento/ambulatório) foram avaliadas por poucos estudos e apresentaram resultados inconsistentes. Essas descobertas sugerem que trabalhos futuros devem utilizar instrumentos bem estabelecidos na literatura para avaliar o EDM, assim como visar à adaptação transcultural de instrumentos que avaliem o EDM, uma vez que nenhum dos instrumentos apresentados nesta revisão é validado para a população brasileira.

Palavras-chave: saúde mental; estigma; doença mental; discriminação; avaliação.

Biografia do Autor

Nicolas De Oliveira Cardoso, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Psicólogo (ULBRA/2017), possui experiência na área de pesquisas experimentais no campo da Neuropsicofarmacologia. Atualmente é mestrando em psicologia clínica no grupo de Avaliação e Intervenção Psicológica no Ciclo Vital da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, coordenado pela Profa. Dra. Irani Iracema de Lima Argimon. Possui interesse nos seguintes temas: Coping, Estigma, Envelhecimento, Intervenções Tecnológicas, Aspectos Cognitivos e Reserva Cognitiva.
Breno Sanvicente Vieira, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Psicólogo graduado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), mesma universidade onde concluiu o mestrado o doutorado em Psicologia. Atualmente é bolsista de pós-doutorado na PUCRS, financiado pelo National Institutes of Health, através de projeto de pesquisa de cooperação internacional da PUCRS com a The University of Texas. Pesquisador da PUCRS, na Escola de Ciências da Saúde e membro do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Trauma e Estresse (NEPTE). Possui também especialização em Terapia Cognitivo Comportamental. Tem experiência docente em cursos superiores de psicologia, com destaque para atuação na Universidade Luterana do Brasil (ULBRA-Canoas), onde permaneceu por três anos. Na ULBRA, foi responsável da disciplina de psicopatologia e estágio em avaliação psicopatológica, além de ter experiência docente em áreas de clínica, avaliação psicológica e saúde. Foi coordenador do curso de psicologia da ULBRA por um ano, deixando o cargo e a instituição para dedicar-se exclusivamente ao projeto de pesquisa do pós-doutorado. Na PUCRS, no grupo e projeto que trabalha, é o responsável pela coleta e avaliação clínica faz 5 anos, tendo supervisionado principalmente avaliações psicopatológicas e entrevistas de gravidade de sintomas. Sua produção é fundamentalmente na área dos transtornos mentais, considerando as interações biopsicossociais que podem contribuir para manifestações psiquiátricas ao longo do desenvolvimento. Em especial, tem visado o estudo dos impactos do Trauma Precoce e da Dependência Química em outros transtornos mentais, focando em mecanismos atuantes nas diferentes dimensões clínicas dos processos psicológicos com impacto no curso, intensidade e perpetuação das manifestações. Também tem produções no estudo de alterações psicológicas, com ênfase na cognição social e tomada de decisão. Tem interesse também na influência de características individuais no curso do desenvolvimento psicológico, como a presenças de condições crônicas, a vitimização e, particularmente, diferenças de sexo. Neste sentido, sua tese foi dedicada a investigação de diferenças entre homens e mulheres usuários de cocaína do tipo crack, avaliando amplamente o perfil psicossocial, além de aspectos biológicos. Produto de sua tese foi premiado internacionalmente pelo National Institute on Drug Abuse (NIDA) com o prêmio "NIDA Women & Sex/Gender Differences Research Junior Investigator". Também trabalha com avaliação psicológica, tendo trabalhos com adaptação e desenvolvimento de instrumentos.
Isabela De Mattos Vieira Ferracini, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Graduanda em psicologia na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Estagiária de psicologia em cuidados paliativos na Unidade Álvaro Alvim (HCPA). Participou como bolsista de iniciaçãi científica no grupo de pesquisa de avaliação e intervenção no ciclo vital coordenado pela professora Dra. Irani Iracema de Lima Argimon
Irani Iracema de Lima Argimon, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Irani Iracema de Lima Argimon é psicóloga (PUCRS, 1979), Especialista em Toxicologia Aplicada (PUCRS, 1990). Possui Mestrado em Educação (PUCRS, 1997) e Doutorado em Psicologia (PUCRS, 2002). Terapeuta Cognitivo-Comportamental certificada pela Fundação Brasileira de Terapias Cognitivas (FBTC, 2015). É coordenadora do Grupo de Pesquisa Avaliação e Intervenção no Ciclo Vital, do PPGP da PUCRS desde 2004. Bolsista Produtividade CNPq. Professora Titular dos cursos de Graduação e de Pós-Graduação em Psicologia da PUCRS. Professora Titular do Pós-Graduação do Instituto de Geriatria e Gerontologia da PUCRS. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Avaliação e Intervenção Psicológica e Validação de Instrumentos Psicológicos. Atuando principalmente nos seguintes temas: Ciclo Vital, Envelhecimento Humano, Aspectos Cognitivos e Dependência Química. 
Publicado
2020-04-14
Seção
Avaliação psicológica