Sobrepeso e controle de peso: pensamento leigo e suas dimensões normativas

Ana Maria Justo, Brigido Vizeu Camargo, Andréa Barbará da Silva Bousfield

Resumo


Pretende-se descrever as representações sociais (RS) ligadas ao excesso de peso e às práticas de controle do peso corporal. Realizou-se 40 entrevistas semi-diretivas. Participaram 20 homens e 20 mulheres, entre 30 e 57 anos, com e sem excesso de peso. A análise dos dados envolveu classificação hierárquica descendente com o auxílio do software IRaMuTeQ.  Os resultados organizam-se em cinco classes lexicais que ilustram dimensões representacionais, refletindo diferentes formas de internalização dos padrões corporais.  A gordura é tratada com distanciamento afetivo e parece difícil falar em excesso de peso sem abordar sua origem comportamental e necessidade de mudança.  As RS das práticas de controle de peso ancoram-se em normas de saúde. A alimentação é saliente e revela a polaridade: controle versus descontrole. O ideal de saúde, pautado na responsabilização individual, reitera a culpabilização do indivíduo acima do peso pela sua condição, o que fortalece os estereótipos, dificultando o controle do peso.  


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ISSN 1980-6906 (on-line)