Chamada de Artigos para o Volume 2018-1

Edital 2018-1

Prazo final envio artigos: 10/12/2017

Ensino | abordagens, instrumentos, questões, programas e projetos

Quais questões e narrativas a Escola propõe para o debate, de forma a permitir à arquitetura e ao urbanismo uma participação efetiva na contemporaneidade? Quais propostas o Ensino se coloca para o enfrentamento dos debates contemporâneos?

Quando a arquitetura e sua relação com a matriz urbana aportam uma condição que recoloca o projeto – de arquitetura, de urbanismo, de cidadania, de ensino – como uma ação vinculada a processos sociais e à cidade real, de que maneira as Escolas assumem seu papel na formação de arquitetos capazes de ter posição política diante de solicitações e demandas do tempo histórico atual?

Com o foco na questão disciplinar, como o raciocínio complexo se equaciona em suas diversas escalas e se relaciona com a inter e a transdisciplinaridade? Como aporta questões que constituem o escopo das mesmas disciplinas, das atividades, dos laboratórios, e quais seriam as principais temáticas condutoras de projetos político-pedagógicos das escolas de Arquitetura e Urbanismo?

E, ainda, no que concerne às abordagens pedagógicas, como se posiciona o Ensino diante da ideia de conhecimento universalmente válido e de uma experiência particular e histórica? De quais formas, diante da tradição, adota um comportamento reflexivo que ultrapasse o arbítrio de opiniões previas, preconceitos, dogmas? E, uma vez liberto do preconceito, como o Ensino considera a virtude do conceito nos processos de aprendizagem? Diante de novos e frutíferos enfoques para as questões metropolitanas contemporâneas, como a Arquitetura estabelece um diálogo fecundo com a Arte, aprende com seus discursos e, através da inteligência, intuição, ou ambos, escapa do status quo? Como assume a virtude do conceito no raciocínio de projeto, entendendo projeto como raciocínio inerente ao arquiteto e ao urbanista?

Ao considerar exemplos de artistas, e de alguns arquitetos, como o raciocínio sobre o Ensino - e seus planos, programas, abordagens pedagógicas -, releva e valoriza, na construção do saber, a experiência implicada quer seja na produção científica quer seja nas particularidades da vida cotidiana? E, ao considerar a experiência como consciência que ensina ao saber o que é real, como a Escola propõe novas experiências para construir, portanto, pelo ensino, raciocínios e processos de auto responsabilidade para a ação e a transformação? Como efetiva, a partir de um processo de ensino investigativo, criativo e participativo, o aprender fazendo e o saber aprender a aprender na prática do Projeto, no cultivo da Teoria, da História, da Técnica, do próprio processo de Projeto?

E, da mesma forma, como assume que a construção teórica é indissociável da prática, e que o leitmotiv da ação para a aprendizagem é o empenho em abrir-se à experiência, definir e construir perguntas adequadas que permitam, à arquitetura e ao urbanismo, fornecer respostas sociais necessárias. E, ao saber que a construção da pergunta é parte do ato criativo, como discrimina o que importa e se abre a um saber que não se sabe?

Assim que, se o debate contemporâneo diz respeito a desafios e conflitos colocados pela realidade, e a disciplina entende “vínculo” com a realidade como investigação, leitura e prospecção, temas, entre outros, diretamente vinculados à produção material das condições de existência, são benvindos à reflexão. Uma questão, entre muitas narrativas possíveis, diz respeito ao fato que nas últimas décadas, as cidades latino-americanas cresceram de modo excessivo e, em grande medida, descontrolado. Que atualmente, 85% da população latino-americana vivem em território urbano. E, em proporção cada vez maior, esse contingente, composto em sua maioria de mulheres e crianças pequenas, vive em áreas ocupadas informalmente, e em condições precárias. E que este cenário desafia a formação tradicional em arquitetura e urbanismo, e demanda um novo raciocínio, se interroga: como projetar para as pessoas que vivem em áreas vulneráveis socialmente? Tendo em vista esta situação, como e o que desenhar que promova melhores condições de vida para crianças pequenas, gestantes, idosos, deficientes físicos?

 

Aberta à participação, a chamada do CadernosPós para 2018-1 conversa e amplia o objetivo de Hannah Arendt, exposto em Prólogo de “A condição humana” (1958), no qual afirma que o que se propõe, portanto, «é muito simples: trata-se apenas de refletir sobre o que estamos fazendo» e o que mais podemos fazer.

 

Referências bibliográficas:

ARAVENA, Alejandro. "O desafio da arquitetura é sair da especificidade da resposta e abordar a inespecificidade da pergunta". Entrevista por Natalia Yunes, Traduzida por Eduardo Souza. In: Archdaily Brasil, 02/03/2017. Disponível em: http://www.archdaily.com.br/br/806392/alejandro-aravena-o-desafio-da-arquitetura-e-sair-da-especificidade-da-resposta-e-abordar-a-inespecificidade-da-pergunta | Acessado em: 22/08/2017 14h59’.

BRANDÃO, Carlos Antônio Leite. Linguagem e arquitetura: o problema do conceito. Disponível em: http://www.companhiadoscursos.com.br/pdf/aqi024/LINGUAGEM%20E%20ARQUITETURA.pdf | Acessado em set 2014. 12h20’.

GADAMER, Hans-Georg (1960). Verdade e Método – Traços fundamentais de uma hermenêutica filosófica. Petrópolis: Vozes, 3ª edição, 1999.

ONU HABITAT. “Estado de Las Ciudades de América Latina y El Caribe 2012: Rumbo a una nueva transición urbana”. Programa de las Naciones Unidas para los Asentamientos Humanos. Disponível em: http://bit.ly/CidadesALCaribe2012 | Acessado em 01/10/2017 12h07’.

VILLAC, M. I. et al. Congresso Internacional de Ensino | O que é uma escola de projeto na contemporaneidade? | Questões de ensino e crítica do conhecimento em Arquitetura e Urbanismo. Publicado em setembro de 2013. Disponível em: https://projetocontemporaneo.files.wordpress.com/2013/10/anais-congresso-internacional-de-ensino-mackenzie-20131.pdf | Acessado em: 20/08/2017 08h55’.

 

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