Pesquisas interdisciplinares em religião, migração e imagem.
Os fenômenos migratórios trazem novos desafios interpretativos aos pesquisadores devido aos complexos e múltiplos cenários em que eles acontecem. A importância dos deslocamentos para refletir as experiências contemporâneas é evidente na ampla literatura de matriz teórica-metodológica e de temáticas no campo das ciências humanas de um modo geral. Os diversos elementos – políticos, religiosos, econômicos e sociais - vêm acarretando múltiplas trajetórias e fluxos, estruturação de identidades e relações interculturais, e também configurando situações de conflitos e vulnerabilidade.
É inviável discutir a temática da migração sem que seja levado em consideração o aspecto religioso. A religião não pode ser entendida neste contexto meramente como um aspecto (entre outros) na vida do imigrante; a fé do imigrante afeta a sua interação cotidiana com não-imigrantes, forma o futuro destes imigrantes no contexto social de destino e influencia a sociedade para além da sua própria presença em um determinado contexto social. Em outras palavras, “para entender os imigrantes, é preciso entender a sua fé. Mais, para entender mudanças sociais em sociedades compostas por imigrantes, não se pode desconsiderar a religião destes imigrantes” (Connor 2014, p 5).
Em um contexto social tão conturbado, a imagem se mostra instrumento/recurso analítico relevante para o entendimento do fenômeno proposto. Como entender a relação entre visibilidade, o político e o religioso no discurso público sobre migração? Como podemos representar visualmente pessoas que são barradas em seus direitos de representação política e como essas representações visuais podem ganhar destaque político? Atualmente, o conceito de migração é iminentemente icônico, e isto se aplica não somente aos que se encaixam na categoria de “ilegal”. Esta percepção pública sobre o tema é profundamente formatada pelas representações da mídia (Kohn, 2016, p. 4). Neste sentido, as imagens têm se tornado uma parte integral e relevante no processo de regulação de políticas migratórias: as imagens ajudam a produzir as categorias de “legalidade” e “ilegalidade”, elas reforçam estereótipos e mobilizam convicções políticas.
A imagem, neste contexto, não é pensada como um “veículo” que publiciza e faz referência ao imigrante, dando destaque ou revelando o fenômeno. A nossa proposta é pensar o fenômeno migratório em sua amplitude com a ajuda das imagens, à luz delas. A proposta é unir a prática visual à reflexão teórica; unir os discursos contidos nas ciências sociais aos conceitos estéticos. À medida que experimentamos o mundo através de representações visuais, o ato de ver e tornar visível assume uma tremenda relevância teórica e política. (KÖHN, 2016, p. 4).
Data limite de submissão: 01/08/2020.


