Suicídio e Estigma: Uma Análise Bioética das Moralidades Correntes em Narrativas de Profissionais de Saúde
Palavras-chave:
Bioética, Estigma, suicídio, Profissionais de saúde, Sistemas de SaúdeResumo
Segundo a OMS, 726 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos e entre os principais fatores de risco estão as dificuldades e adversidades no acesso a serviços de saúde e a baixa qualidade da atenção dispensada aos tentantes. Apesar da regulação das práticas de saúde e a reflexão ética sobre o impacto de condições contextuais nas condições de saúde integrarem o espectro de atuação da Bioética, as abordagens do campo ao tema tem se limitado às reflexões sobre suicídio assistido e suicídio racional, no âmbito das discussões sobre eutanásia, o que difere conceitualmente, epistemologicamente e eticamente do fenômeno geral do suicídio. O objetivo do artigo foi analisar do ponto de vista bioético as moralidades correntes de profissionais de saúde responsáveis pelo primeiro atendimento, em suas compreensões sobre suicídio. Dezenove profissionais entre médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem foram entrevistados em serviços de emergência de três grandes hospitais públicos. Os resultados demonstram representações do fenômeno amplamente associadas a princípios nocivos, desde a tentativa de suicídio como manipulação, fruto de uma tentativa radical de “chamar atenção”, até o retrato atualizado do processo histórico estigmatizante que vincula o ato à tríade pecado-crime-loucura. Defende-se a necessidade de que o tema passe a ser abordado com maior frequência pela Bioética, com o fito de orientar processos formativos dos profissionais de saúde e o desenvolvimento de políticas de saúde e protocolos institucionais, com vistas a um cuidado mais humanizado aos tentantes e uma prevenção mais efetiva.
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