Educação infantil do campo e Pedagogia: um diálogo a se fazer

Fernanda de Lourdes Almeida Leal

Resumo


O debate sobre a educação infantil do campo é recente. Ele se volta a pensar, dos pontos de vista político, do direito e das práticas pedagógicas, a realidade educacional das crianças pequenas que residem em área rural do país. Neste artigo, objetiva-se tratar do lugar que a educação infantil do campo ocupa nos cursos de formação de professores, especificamente nos cursos de Pedagogia, que lidam diretamente com a formação de professores para atuarem tanto na educação infantil como nos anos iniciais do ensino fundamental. As Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Pedagogia (licenciatura), instituídas em 2006, integraram,
na formação do pedagogo, a educação infantil e os anos iniciais do ensino fundamental (BRASIL, 2006). Essa integração, por um lado, prevê a ampliação do público a ser atendido pelos pedagogos, sendo este compreendido como as crianças que estão entre 0 e 5 anos – público da educação infantil – e aqueles que estão aptos a frequentar os anos iniciais do ensino fundamental, seja no tempo regular ou na modalidade da educação de jovens e adultos. Por outro lado, amplia também os desafios desta formação, uma vez que conhecimentos que
atravessam a infância, a adolescência, e mesmo a juventude e adultez, por exemplo, precisam ser mobilizados. Além desse e de outros desafios concernentes à formação do pedagogo proposta pelas referidas Diretrizes, este artigo quer, especificamente, chamar a atenção para as crianças pequenas, com idade entre 0 e 5 anos, que residem em área rural, por reconhecer que a formação do pedagogo, determinada pelas Diretrizes de 2006 e materializada em projetos pedagógicos de cursos de Pedagogia, ainda não enfrenta de maneira declarada esta realidade, que seria assumir em sua trajetória formativa um debate que inclua o que vem se consolidando como educação infantil do campo e mesmo uma leitura de Brasil, que pense os sujeitos da cidade e do campo. Para as crianças residentes em áreas rurais do país com idade para frequentar os anos iniciais do ensino fundamental, há um tipo de oferta que se consagrou na história da educação do mundo rural como sendo o ensino multisseriado. Para as crianças pequenas, com idade para frequentar o que se reconhece como educação infantil no sistema educacional brasileiro, esta oferta é praticamente inexistente, salvo raras exceções. A discussão sobre o lugar
da educação infantil pensada para estas crianças nos cursos de formação de Pedagogia, espaço de debate que se configura como educação infantil do campo, é a questão central deste artigo.

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