No meio do caminho

as viagens em Caro Michele

  • Iara Machado Pinheiro Universidade de São Paulo
Palavras-chave: Literatura italiana, Literatura epistolar, Viagem

Resumo

Este ensaio propõe a articulação entre a forma epistolar, no romance Caro Michele (1973), de Natalia Ginzburg, e a representação do viajante, com o recorte do trânsito e de certa característica de indeterminação. A partir do comentário de Vilma Arêas, que sugere que no romance de Ginzburg a viagem se torna uma metáfora vazia, e da breve menção, em uma das cartas que compõe a narrativa, a As flores do mal, a proposta é tecer uma relação entre o último poema do livro de Baudelaire e os fragmentos de correspondências para colocar em questão as posições subjetivas de quem espera por um ausente, de quem vaga sem rumo ou destino e de quem se compromete com a lembrança de um ente amado que está distante.

Biografia do Autor

Iara Machado Pinheiro, Universidade de São Paulo

Universidade de São Paulo (USP), Programa de Pós-Graduação em Letras Estrangeiras e Tradução da Universidade de São Paulo (LETRA), São Paulo, SP, Brasil.

Referências

ARÊAS, V. Ofício de escrever. In: GINZBURG, N. Caro Michele. São Paulo: Cosac Naify, 2009. p. 159-175.

AUERBACH, E. As flores do mal e o sublime. In: AUERBACH, E. Ensaios de literatura ocidental. Tradução Samuel Titan Jr. e José Marcos Mariani de Macedo. São Paulo: Editora 34, 2012. p. 303-332.

BANDEIRA, M. Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: José Olympio, 1973.

BARTHES, R. Journal de deuil. Paris: Éditions du Seuil, 2009.

BAUDELAIRE, C. As flores do mal. Tradução Jamir Almansur Haddad. São Paulo: Abril Cultural, 1984.

BENJAMIN, W. Sobre alguns motivos na obra d Baudelaire. In: BENJAMIN, W. A modernidade. Tradução João Barrento. Lisboa: Assírio & Alvim, 2017. p. 110-153.

DIAZ, B. O gênero epistolar ou o pensamento nômade. Tradução Brigitte Hervot e Sandra Ferreira. São Paulo: Edusp, 2016.

GAGNEBIN, J. M. A memória dos mortais. In: GAGNEBIN, J. M. Lembrar escrever esquecer. São Paulo: Editora 34, 2006. p. 13-27.

GINZBURG, N. Inverno em Abruzzo. In: GINZBURG, N. As pequenas virtudes. Tradução Maurício Santana Dias. São Paulo: Cosac Naify, 2015. p. 13-19.

GINZBURG, N. Viaggiatori maldestri. In: GINZBURG, N. Mai devi domandarmi. Torino: Giulio Einaudi Editore, 2014. p. 84-87.

GINZBURG, N. Caro Michele. Torino: Giulio Einaudi Editore, 2001.

GINZBURG, N. Caro Michele. Tradução Homero Freitas de Andrade. São Paulo: Cosac Naify, 2009.

HAROCHE-BOUZINAC, G. Escritas epistolares. Tradução Ligia Fonseca Ferreira. São Paulo: Edusp, 2016.

HOMERO. Odisseia. Tradução Trajano Vieira. São Paulo: Editora 34, 2011.

FREUD, S. Introdução ao narcisismo. Tradução Paulo César Souza. In: FREUD, S. Obras completas. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. v. 12.

MEIRELES, C. Despedida. In: MEIRELES, C. Antologia poética. São Paulo: Global, 2013. p. 58.

PASOLINI, P. Os jovens infelizes: antologia de ensaios corsários. Tradução Michel Lahud e Maria Betânia Amoroso. São Paulo: Brasiliense, 1990.

PASOLINI, P. Poemas. Tradução Maurício Santana Dias. São Paulo: Cosac Naify, 2015.

PAZ, O. A dialética da solidão. In: PAZ, O. O labirinto da solidão. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1984. p. 175-191.

ROSA, J. G. Grande Sertões: Veredas. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

STAROBINSKI, J. A tinta da melancolia. Tradução Rosa Freire d’Aguiar. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

Publicado
2019-12-19
Como Citar
Pinheiro, I. M. (2019). No meio do caminho. Cadernos De Pós-Graduação Em Letras, 19(3), 155-172. Recuperado de http://editorarevistas.mackenzie.br/index.php/cpgl/article/view/12729