Modelo de Influência Cultural no Consumo: uma Proposta Baseada em Axiomas Sociais

Autores

  • Solange Alfinito Universidade de Brasilia
  • Claudio V. Torres Universidade de Brasilia

Palavras-chave:

axiomas sociais, valores humanos, escolha do consumidor, atributos, modelo de influência cultural do consumo

Resumo

Escassos são os esforços no Brasil para se investigar as relações entre o comportamento do consumidor e seus valores e crenças sociais (i.e., axiomas), embora existam evidências de que, também no país, os valores do consumidor explicam parte do processo de decisão de consumo, o que ajuda a sustentar a validade cultural do Modelo das Duas Rotas (MDR). O objetivo do presente estudo foi de avaliar a influência de aspectos culturais na decisão de compra do consumidor, indo além do MDR e propondo, o Modelo de Influência Cultural no Consumo (MICC), que analisa a escolha do consumidor baseando-se não apenas nos valores como também no constructo de axiomas sociais proposto por Leung et al. (2002). Para testar o MICC foi utilizado como objeto de estudo o mercado de educação superior brasileiro. Participaram 2.483 estudantes distribuídos em todo o país, com idade média de 22,6 anos (DP=6,9), sendo 59,2% do sexo feminino. Eles responderam a uma medida de importância de atributos tangíveis, ao Inventário de Valores Humanos de Schwartz (1994), à Escala de Axiomas Sociais, à Escala de julgamento e significado de serviços, além de dados demográficos. Após a verificação dos pressupostos e aplicação das análises fatoriais (PAF), foram conduzidas regressões logísticas binárias diretas e sequenciais usando somente valores, em seguida somente axiomas e, finalmente, com valores e axiomas, como as variáveis-critério. Em termos gerais, os resultados apontam a estabilidade do MICC, que demonstrou representar uma alternativa superior ao MDR, após indicar melhoria preditiva de até 89,5%. Discute-se que, enquanto valores são transituacionais e prescritivos, os axiomas se apresentam descritivos, além de cumprirem funções de atitudes relacionadas às descrições de objetos. Cognitivamente, a descrição do objeto social estaria mais disponível que a predição do mesmo devido à maior proximidade dos atributos, possibilitando melhor explicação quanto ao comportamento de consumo. Os resultados têm implicações para um posicionamento mais eficaz no mercado, já que a sobrevivência nele depende também de aspectos subjetivos como aqueles envolvidos no MICC.

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Biografia do Autor

Solange Alfinito, Universidade de Brasilia

Doutora em Psicologia Organizacional, do Trabalho e das Organizações pelo Departamento de Psicologia Social e do Trabalho do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília/UnB (2009) e Mestre em Economia de Empresas pela Universidade Católica de Brasília (2002). É professora no Departamento de Administração da Faculdade de Administração, Contabilidade e Economia - FACE da UnB desde 2009, onde também atua como professora do Programa de Pós-Graduação em Administração. Seus maiores interesses de pesquisa se relacionam à comportamento do consumidor, psicologia transcultural e julgamento e significado. Tem ministrado cursos e disciplinas em comportamento do consumidor, estatística aplicada à administração, metodologia de pesquisa aplicada à administração, dentre outros. É membro do grupo de estudo e pesquisa em comportamento do consumidor da Universidade de Brasília – Consuma/UnB e da International Association for Cross-cultural Psychology. Atua como docente desde 2001 e entre 1995 e 2004, atuou nas áreas de administração financeira, planejamento e avaliação institucional, exercendo cargos de gerência e direção em empresas de médio e grande portes.

Claudio V. Torres, Universidade de Brasilia

Obteve seu Ph.D. em Psicologia pela California School of Professional Psychology (1999) em San Diego – California (EUA), com Pós-doutorados em Marketing pela Griffith University, Austrália (2004) e em Pesquisa e Psicologia Transcultural pela University of Sussex, Inglaterra (2009). É professor do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho do Instituto de Psicologia na Universidade de Brasília desde 1992, onde também atua como Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações. Seus maiores interesses de pesquisa se relacionam à Pesquisa Transcultural, Comportamento do Consumidor e Diversidade nas Organizações. Outros interesses incluem multiculturalismo e processos autóctones de influência informal. Tem ministrado cursos e disciplinas em Comportamento do Consumidor, Psicologia Social Avançada, Pesquisa Intercultural, Diversidade nas Organizações, dentre outros. Desenvolve consultorias nas áreas de Comportamento do Consumidor, Pesquisa Transcultural aplicada às Organizações e Diversidade e Inclusão nas Organizações. É um dos fundadores do grupo de estudo e pesquisa em comportamento de consumo da Universidade de Brasília – Consuma/UnB. É membro e contribui ativamente com a International Association for Cross-cultural Psychology, International Academy for Intercultural Research, The American Psychological Association (Divisão 52) e da Sociedade Interamericana de Psicologia.

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Publicado

2012-04-18

Edição

Seção

Gestão Humana e Social