DOS FRAGMENTOS ÀS CONEXÕES: LIMITES DO PENSAMENTO DISCIPLINAR E A EMERGÊNCIA DE NOVOS OLHARES INTERDISCIPLINARES E TRANSDISCIPLINARES NA EDUCAÇÃO
Palavras-chave:
Fragmentação do saber, Interdisciplinaridade, Transdisciplinaridade, Realidade complexa, ParadigmaResumo
Este artigo propõe uma reflexão sobre os limites do pensamento disciplinar, sustentado historicamente pelo paradigma cartesiano-newtoniano, e suas implicações para a fragmentação do saber no campo científico e educacional. A investigação parte de um resgate teórico dos fundamentos da ciência moderna, destacando que o pensamento disciplinar contribuiu para a dissociação entre sujeito e conhecimento, comprometendo uma visão mais integrada da realidade. Com base em autores como Morin, Moraes, Fazenda, Freire e Nicolescu, o texto analisa as rupturas paradigmáticas ocorridas ao longo do século XX, impulsionadas por descobertas científicas e por novas demandas sociais, culturais e educacionais. Nessa direção, emergem a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade como alternativas teóricas e metodológicas que rompem com a lógica fragmentadora, favorecendo a construção de um conhecimento mais relacional, contextualizado e conectado à complexidade do mundo contemporâneo. Ao considerar os desafios da educação atual, o estudo enfatiza a necessidade de reorganizar o campo educacional a partir de práticas pedagógicas que promovam o diálogo entre saberes, a integração curricular e a valorização da experiência dos sujeitos. A proposta é repensar a escola como espaço de construção coletiva do conhecimento, superando a lógica conteudista e mecanicista, e reconhecendo a aprendizagem como um processo dinâmico e situado assim, defende-se a adoção de abordagens educacionais que dialoguem com a complexidade da vida e com os múltiplos sentidos do aprender, rompendo com modelos ultrapassados e respondendo aos desafios do século XXI.
Downloads
Referências
BEHRENS, M. A.; OLIARI, A. L. T. A evolução dos paradigmas na educação: do pensamento
científico tradicional à complexidade. Revista Diálogo Educacional, Curitiba,
v. 7, n. 22, p. 53-66, 2007.
CAPRA, F. O ponto de mutação. São Paulo: Cultrix, 1997.
CARLOS, J. G. Interdisciplinaridade no ensino médio: desafios e potencialidades.
Petrópolis: Vozes, 2007.
DEMO, P. Educação e conhecimento: relação necessária, insuficiente e controversa.
Petrópolis: Vozes, 2000.
DESCARTES, R. Discurso do método. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2008.
FAZENDA, I. C. A. Interdisciplinaridade: história, teoria e pesquisa. Campinas: Papirus,
1994.
FAZENDA, I. C. A. Interdisciplinaridade: qual o sentido? 2. ed. São Paulo: Paulus, 2006.
FAZENDA, I. C. Integração e interdisciplinaridade no ensino brasileiro: efetividade ou
ideologia. São Paulo: Loyola, 1979.
FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. 9. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1987.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São
Paulo: Paz e Terra, 2014.
GADOTTI, M. Pedagogia da práxis. 4. ed. São Paulo: Cortez, Instituto Paulo Freire, 2004.
GUSDORF, G. Speaking (la parole). Evanston, IL: Northwestern University Press, 1965.
JANTSCH, A. P.; BIANCHETTI, L. Interdisciplinaridade: para além da filosofia do sujeito.
Petrópolis: Vozes, 2002.
JAPIASSU, H. Interdisciplinaridade e patologia do saber. Rio de Janeiro: Imago, 1976.
KUHN, T. A estrutura das revoluções científicas. São Paulo: Perspectiva, 2009.
MASSONI, N. T. Ilya Prigogine: uma contribuição à filosofia da ciência. Revista Brasileira
de Ensino de Física, São Paulo, v. 30, p. 2308.1-2308.8, 2008.
MENEZES ALVES, J. W. de; FERREIRA, F. J. A.; SANTOS, M. P. M. dos. Interdisciplinaridade
e conexão dos saberes na contemporaneidade. Revista Ibero-Americana de
Humanidades, Ciências e Educação, v. 10, n. 9, p. 552-564, 2024.
MORAES, M. C. O paradigma educacional emergente. Campinas: Papirus, 2016.
MORAES, M. C. Paradigma educacional ecossistêmico: por uma nova ecologia da
aprendizagem humana. Rio de Janeiro: Wak, 2021.
MORIN, E. A cabeça bem-feita: repensar e reformar, reformar o pensamento. Rio de
Janeiro: Bertrand, 2003.
MORIN, E. Os setes saberes necessários à educação do futuro. 2. ed. São Paulo: Cortez;
Brasília: Unesco, 2011.
MORIN, E. Introdução ao pensamento complexo. 5. ed. Porto Alegre: Sulina, 2015.
MORIN, E. Ciência com consciência. 17. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2018.
NICOLESCU, B. O manifesto da transdisciplinaridade. São Paulo: Triom, 1999.
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A EDUCAÇÃO, A CIÊNCIA E A CULTURA.
Déclaration mondiale sur l’enseignement supérieur pour le XXI e siècle et Cadre
d’action prioritaire pour le changement et le développement de l’enseignement supérieur.
In: CONFERÊNCIA MUNDIAL SOBRE O ENSINO SUPERIOR, 1998, Paris. Paris:
Unesco, 1998.
PAPERT, S. Logo: computadores e educação. São Paulo: Brasiliense, 1986.
POMBO, O. Interdisciplinaridade e integração dos saberes. Liinc em Revista, v. 1, n. 1,
p. 13-15, 2005.
POMBO, O. Epistemologia da interdisciplinaridade. Ideação, v. 10, n. 1, p. 9-40, 2010.
Disponível em: https://saber.unioeste.br/index.php/ideacao/article/view/4141. Acesso
em: 5 maio 2025.
PRIGOGINE, I. O fim das certezas: tempo, caos e as leis da natureza. São Paulo: Editora
Unesp, 1996.
WEIL, P. Holística: uma nova visão e abordagem do real. São Paulo: Palas Athena, 1990.
WEIL, P. Axiomática transdisciplinar para um novo paradigma holístico. WEILL, P.;
D’AMBRÓSIO, U.; CREMA, R. Rumo à nova transdisciplinaridade: sistemas abertos
de conhecimento. São Paulo: Summus Editorial, 1993. p. 9-73.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Maria José de Pinho, Ana Pâmela Guimarães Pereira, Luciane Sena da Cunha Souza

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
A Revista TRAMA Interdisciplinar reserva os direitos autorais das contribuições publicadas em suas páginas. Esses direitos abrangem a publicação da contribuição, em português, em qualquer parte do mundo, incluindo os direitos às renovações, expansões e disseminações da contribuição, bem como outros direitos subsidiários. Autores têm permissão para a publicação da contribuição em outro meio, impresso ou digital, em português ou em tradução, desde que os devidos créditos sejam dados à Revista TRAMA Interdisciplinar. O conteúdo dos artigos é de responsabilidade de seus autores.


