Entre a Recompensa e o Sofrimento: A Visão de Trabalhadores Bancários sobre o Discurso da Flexibilidade

  • Rejane Prevot Nascimento Universidade do Grande Rio (UNIGRANRIO)
  • Lígia do Carmo Martins Damasceno Universidade do Grande Rio (UNIGRANRIO)
  • Diana Rebello Neves Universidade do Grande Rio (UNIGRANRIO)
Palavras-chave: Flexibilidade. Setor bancário. Gestão de Recursos Humanos. Trabalho. Controle.

Resumo

Objetivo: Analisar, a partir um enfoque crítico, o impacto do discurso da flexibilidade nas práticas do setor bancário, segundo o ponto de vista dos funcionários.

Originalidade/Lacuna/Relevância/Implicações: A pesquisa é relevante por abordar, sob o ponto de vista dos empregados, o tema da flexibilidade, que ainda hoje é debatido na academia. A pesquisa responde a uma lacuna sobre o tema, que é a identificação, por parte dos empregados, do uso do discurso da flexibilidade como um instrumento de controle.

Principais aspectos metodológicos: O estudo utilizou uma abordagem qualitativa, com entrevistas semi-estruturadas para a coleta dos dados. Os dados foram analisados com base na análise de conteúdo.

Síntese dos principais resultados: A transformação do perfil do trabalhador bancário, no sentido de ser mais flexível, o expôs a práticas de gestão mais perversas, pois, imbuídos pelo discurso da empresa, tornam-se escravos do alto desempenho. O bancário passou a ser visto principalmente como um vendedor. Apesar se mostrarem-se insatisfeitos com as condições de trabalho, os sujeitos entrevistados submetem-se às pressões do trabalho para manutenção do seu padrão de vida.

Principais considerações/conclusões: As práticas flexíveis estão tão inseridas no cotidiano de trabalho dos bancários que não são percebidas como instrumento de controle e dominação sobre eles. Por fim, concluiu-se que a ideologia predominante na sociedade contemporânea potencializa o discurso da gestão de pessoas que, por sua vez, operacionaliza o discurso da flexibilidade, conforme apontado por Sennet (2008) e Gaulejac (2007).

Biografia do Autor

Rejane Prevot Nascimento, Universidade do Grande Rio (UNIGRANRIO)

Cientista Social (UFRJ), Doutora em Engenharia de Produção (COPPE/UFRJ). Professora dos Cursos de Mestrado e Doutorado em Administração do PPGA/UNIGRANRIO Vice-Líder do Grupo de Pesquisa em Estudos Organizacionais Críticos. Atua nas areas de Sociologia do Trabalho e Estudos Organizacionais; Pesquisadora dos temas Trabalho e Relações de Trabalho; Flexibilidade do Trabalho; Envelhecimento e Trabalho. Publicações mais relevantes: A ampliação das estruturas de controle por meio das tecnologias de informação e comunicação: a onipresença do 'pan-óptico eletrônico' no setor bancário. Cadernos EBAPE.BR (FGV), v. 11, p. 65-84, 2013; A Aprendizagem Organizacional como Forma de Controle dos Indivíduos. In: Claudia Simone Antonello; Arilda Schimdt Godoy. (Org.). Aprendizagem Organizacional no Brasil. São Paulo: Bookman, 2011

Lígia do Carmo Martins Damasceno, Universidade do Grande Rio (UNIGRANRIO)

Administradora, Mestre em Administração (UNIGRANRIO). Professora do curso de Graduação em Administração da UNIGRANRIO. Pesquisadora do Grupo de Pesquisa em Estudos Organizacionais Críticos. Principais temas de interesse: Trabalho e trabalhadores do setor bancário. 

Diana Rebello Neves, Universidade do Grande Rio (UNIGRANRIO)
Graduada em Administração de Empresas pela PUC-Rio (2007), Mestre em Administração de Empresas pela PUC-Rio (2013). Doutoranda em Administração de Empresas pela UNIGRANRIO (Universidade do Grande Rio), com início em 2014. Tem experiência de pesquisa na área de Administração, atuando principalmente nos seguintes temas: trabalho, relações de trabalho e organizações e sociedade. 
Publicado
2016-09-15
Seção
Gestão Humana e Social