O(a) Psicólogo(a) Clínico(a) está Virando Influencer? Plataformização do Trabalho, Tecnoestresse e Produção de Conteúdo em Mídias Sociais
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Resumo
Objetiva-se compreender os impactos da plataformização do trabalho na saúde de psicólogos clínicos no Brasil, com foco nos atendimentos online e na produção de conteúdo em mídias sociais. Parte-se da seguinte questão de pesquisa: de que maneira a plataformização reconfigura o trabalho da Psicologia Clínica e produz efeitos específicos na saúde desses profissionais? Mediante métodos mistos, a pesquisa reuniu dados de psicólogos por meio de dez entrevistas em profundidade e de um formulário online – composto por questionário sociodemográfico e pela Escala de Tecnoestresse (RED/TIC) – aplicado a 170 participantes. Os resultados indicam que a plataformização aprofunda processos históricos de informalização da profissão, evidenciados pela extensão das jornadas laborais, pelo acúmulo de vínculos de trabalho e pela predominância do trabalho autônomo. Além disso, a produção de conteúdo emerge como um trabalho invisibilizado, regido por um regime de visibilidade e autogestão que impõe pressões subjetivas aos profissionais. Ao mesmo tempo em que contribui para a captação de pacientes, essa prática gera sofrimentos relacionados à exposição constante, cobrança por engajamento e diluição das fronteiras entre vida pessoal e trabalho. Com base na Escala RED/TIC, identificaram-se níveis moderados de tecnoestresse em 40% da amostra e níveis elevados em 9%, com destaque para as dimensões da fadiga (32%) e da ansiedade (20%). Argumenta-se que o tecnoestresse é compreendido como um sofrimento sociopsíquico, expressão de exigências paradoxais impostas pela plataformização do trabalho. A análise evidencia também estratégias individuais de enfrentamento, mas destaca a centralidade de redes coletivas de trocas de experiências como fatores protetivos à saúde mental.
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