O(a) Psicólogo(a) Clínico(a) está Virando Influencer? Plataformização do Trabalho, Tecnoestresse e Produção de Conteúdo em Mídias Sociais

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Matheus Viana Braz
https://orcid.org/0000-0003-1193-9753
Amanda Thuns Biazzi
https://orcid.org/0000-0002-6446-5451
Victor Martins dos Santos
https://orcid.org/0009-0001-7275-9038

Resumo

Objetiva-se compreender os impactos da plataformização do trabalho na saúde de psicólogos clínicos no Brasil, com foco nos atendimentos online e na produção de conteúdo em mídias sociais. Parte-se da seguinte questão de pesquisa:  de que maneira a plataformização reconfigura o trabalho da Psicologia Clínica e produz efeitos específicos na saúde desses profissionais? Mediante métodos mistos, a pesquisa reuniu dados de psicólogos por meio de dez entrevistas em profundidade e de um formulário online – composto por questionário sociodemográfico e pela Escala de Tecnoestresse (RED/TIC) – aplicado a 170 participantes. Os resultados indicam que a plataformização aprofunda processos históricos de informalização da profissão, evidenciados pela extensão das jornadas laborais, pelo acúmulo de vínculos de trabalho e pela predominância do trabalho autônomo. Além disso, a produção de conteúdo emerge como um trabalho invisibilizado, regido por um regime de visibilidade e autogestão que impõe pressões subjetivas aos profissionais. Ao mesmo tempo em que contribui para a captação de pacientes, essa prática gera sofrimentos relacionados à exposição constante, cobrança por engajamento e diluição das fronteiras entre vida pessoal e trabalho. Com base na Escala RED/TIC, identificaram-se níveis moderados de tecnoestresse em 40% da amostra e níveis elevados em 9%, com destaque para as dimensões da fadiga (32%) e da ansiedade (20%). Argumenta-se que o tecnoestresse é compreendido como um sofrimento sociopsíquico, expressão de exigências paradoxais impostas pela plataformização do trabalho. A análise evidencia também estratégias individuais de enfrentamento, mas destaca a centralidade de redes coletivas de trocas de experiências como fatores protetivos à saúde mental.

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Detalhes do artigo

Seção
Psicologia Social e Saúde das Populações
Biografia do Autor

Matheus Viana Braz, Universidade Estadual de Maringá (UEM), Departamento de Psicologia (DPI), Programa de Pós-Graduação em Psicologia (PPI-UEM), Maringá, Paraná, Brasil

Professor Adjunto do Departamento de Psicologia e do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Visiting Research Fellow na Université Paris Cité (UPCité, 2024), vinculado ao Laboratoire de Changement Social et Politique (LCSP), França. Doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UNESP/FCLA . Mestrado na mesma instituição, com período sanduíche na Université Paris Diderot 7. Graduado em Psicologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), Campus de Assis, com período sanduíche na Universidad de Santiago de Compostela, Espanha. Foi coordenador do curso de Psicologia da UEMG/Divinópolis (gestão 2020-2022). Membro do Conselho de Orientação e Correspondente Internacional no Brasil do RISC - Réseau International de Sociologie Clinique - (França), membro do Comitê de Pesquisa Sociologia Clínica (RC46) da International Sociological Association e membro da Red Internacional de Sociología Clinica - RISC Nodo Sur. Research Partner do DiPLab Research Group. É coordenador do "Laboratório de Trabalho, Plataformização e Saúde" (LATRAPS), vinculado à UEM, membro do "Laboratório Interinstitucional de Subjetividade e Trabalho" e do "Centro de Estudos Subjetividade, Saúde e Trabalho (CESST)", vinculados à Universidade Estadual de Maringá - UEM e do grupo "Diálogos em Sociologia Clínica", vinculado à Universidade de Brasília - UNB (todos cadastrados no CNPq). Membro do GT Psicossociologia da ANPEPP. É autor dos livros "Paradoxos do Trabalho: as faces da insegurança, da performance e da competição" (Appris, 2019) e "Trabalho, Sociologia Clínica e Ação: alternativas à individualização do sofrimento" (Editora Fi, 2021). Em 2023, recebeu o prêmio Outstanding Early Career em Sociologia Clínica pela International Sociological Association (ISA) - Clinical Sociology Research Committee. Suas principais pesquisas concentram-se no trabalho de plataformas digitais, estudos críticos de dados, trabalho e Inteligência Artificial, desigualdades digitais e saúde dos(as) trabalhadores(as). ORCID 0000-0003-1193-9753. Site pessoal: https://matheusvianabraz.net

Amanda Thuns Biazzi, Universidade Paranaense (UNIPAR), Departamento de Psicologia, Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Maringá, Paraná, Brasil

Professora Assistente na Universidade Paranaense (UNIPAR), Departamento de Psicologia; e doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Maringá, Paraná, Brasil.

Victor Martins dos Santos, Universidade Estadual de Maringá (UEM), Laboratório de Trabalho, Plataformização e Saúde — Psicologia Social e Saúde da População (LATRAPS), Maringá, Paraná, Brasil

Universidade Estadual de Maringá (UEM), Laboratório de Trabalho, Plataformização e Saúde (LATRAPS), Maringá, Paraná, Brasil.

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