Evidências em equoterapia na paralisia cerebral: uma revisão de literatura a partir da base PEDro

Karina Tsiftzoglou, Enilda Marta Carneiro de Lima Mello, Aline Abreu Lando, Ricardo Rossetti Quintas, Silvana Maria Blascovi-Assis

Resumo


Introdução: A Equoterapia (EQ) utiliza movimentos tridimensionais do cavalo com o objetivo de promover o bem-estar físico, social e psicológico possibilitando o tratamento na forma de terapia integrada. A paralisia cerebral (PC) consiste em um grupo de distúrbios motores decorrentes de lesão permanente não progressiva, apresentando comprometimento físico, sendo mais comuns na infância. Embora a EQ seja considerada como um recurso terapêutico eficiente e motivador, estudos criteriosos e metodologicamente estruturados, que demonstrem as evidências científicas desse modelo terapêutico, são necessários para que as terapias possam ser fundamentadas em critérios de elegibilidade confiáveis. Objetivo: O objetivo do estudo foi levantar evidências científicas sobre a EQ e o tratamento da pessoa com PC, a partir dos artigos indexados pela base Physiotherapy Evidence Database (PEDro). Método: Como descritores foram utilizados “hyppotherapy” e “cerebral palsy”, sendo critérios de inclusão estudos originais do tipo ensaios clínicos aleatorizados, revisões sistemáticas e diretrizes de prática clínica em fisioterapia. Resultados: Foram incluídos na pesquisa 15 artigos que atendiam os critérios de inclusão para o estudo, 06 artigos de revisão sistemática 09 artigos que relatavam ensaios clínicos, com notas de avaliação que variaram entre 4/10 e 8/10. O período compreendido nesta revisão mostra um equilíbrio na produção e na busca de evidências sobre essa temática nos últimos dez anos, com cinco artigos publicados entre 2014-2018 e sete no período de 2009-2013, sendo somente três anteriores a esse período. Conclusão: A EQ configura-se como um recurso terapêutico motivador, que pode ser indicado para crianças e jovens com PC e embora a literatura não seja unânime na constatação de evidências, a maioria dos estudos indica benefícios desta forma de terapia para a criança ou o jovem com PC.


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