SÉCULO XXI: TEMPO DE PENSAR E AGIR INTERDISCIPLINARMENTE
Palavras-chave:
Nhandereko, Educação Indígena Guarani, Epistemologia, Diversidade cultural, InterdisciplinaridadeResumo
Este artigo discute o pensamento e a prática interdisciplinar no século XXI, como resposta à crise da fragmentação do saber, denominada "patologia do saber" ou cegueira do conhecimento. Para uma melhor compreensão da crise que vivemos, tencionamos interpretá-la sob uma perspectiva articuladora e de superação das análises fragmentadas, tendo em vista suas interfaces, complexidade e totalidade. Portanto, o objetivo deste artigo é compreender as contribuições da epistemologia interdisciplinar na prática e na produção do conhecimento, visto que os fenômenos sociais e a vida não ocorrem isoladamente, mas de forma interdependente. Tal objetivo pode ser explicitado melhor na análise da experiência do modo de ser dos Guarani Mbya. A base teórica do artigo recorre a autores como Edgar Morin, Ivani Fazenda, Georg Lukács, Paulo Freire, Hilton Japiassu, Marcel Mauss e Gersem Baniwa, com foco no conflito entre a racionalidade técnica colonial e o nhandereko (modo de vida tradicional guarani mbya). A metodologia, de caráter etnográfico e qualitativo, envolveu observação participante e entrevistas semiestruturadas com membros das aldeias Kuaray Rexakã e Pinheiro Ty, da Terra Indígena Tenondé Porã, situada no município de São Bernardo do Campo. Os resultados da pesquisa apontam que a educação indígena opera em uma dimensão de totalidade, na qual pensamentos e práticas são indissociáveis. Conclui-se que a interdisciplinaridade, enquanto atitude ética e epistemológica, é fundamental para compreender e promover uma educação que respeite as diversidades e as autonomias dos modos de ser dos povos originários e das pessoas.
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