DIMENSÕES PEDAGÓGICAS DOS PROCESSOS DE ORGANIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS NEGROS NO BRASIL DA DEMOCRATIZAÇÃO
Palavras-chave:
Identidade política, Cultura afro-diaspórica, Hegemonia racial, Movimento negro, hegemonia racialResumo
O artigo analisa a trajetória do movimento negro brasileiro, especialmente de sua reinvenção durante a Nova República, ao superar a centralidade do “culturalismo” e ampliar seus repertórios de ação política. A discussão parte do livro “Orfeu e o Poder”, de Michael Hanchard, e do debate crítico travado com a intelectual Luiza Bairros. O texto destaca a centralidade da produção cultural afro-diaspórica na consolidação de uma identidade política negra, além dos desafios enfrentados pela transição da atuação artística para o campo da política institucional, especialmente após o processo de redemocratização e a promulgação da Constituição de 1988. O debate entre Hanchard e Bairros foi fundamental para renuançar as discussões acadêmicas e internas do movimento, reforçando seu papel formador em cidadania. O artigo evidencia o processo de amadurecimento político das entidades negras, como o Movimento Negro Unificado (MNU) e a Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN), que se consolidaram na década de 1990 e buscaram ampliar a incidência institucional e fortalecer alianças. Apesar dos avanços conquistados, persistem limites estruturais à superação do racismo, expressos na violência estatal e exclusão socioeconômica. O texto finaliza indicando que o diálogo crítico entres as produções de Hanchard e Bairros permanece atual, ao desafiar a academia e a militância a repensar estratégias antirracistas no cenário democrático brasileiro.
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