O Papel Mediador do Escopo de Justiça no Preconceito Contra Grupos Minorizados no Brasil

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Aline Venceslau Vieira de Lima
https://orcid.org/0000-0002-3042-5451
Ana Caroline Alves da Costa
https://orcid.org/0009-0002-0701-7350

Resumo

A presente pesquisa teve como objetivo geral analisar o papel mediador do escopo de justiça como uma justificativa para a relação entre preconceito e a discriminação contra negros (específico) e contra grupos étnicos e minoritários (em conjunto; negros, indígenas, ciganos e imigrantes negros). Dois estudos quantitativos foram realizados através de questionário online relacionando preconceito contra esses grupos, escopo da justiça (dois fatores) e percepção de discriminação/suporte a políticas discriminatórias (SPD). Estas medidas foram adaptadas para o contexto brasileiro. No Estudo 1, 146 pessoas de todo o Brasil participaram do estudo com idades entre 18 e 65 anos, em sua maioria mulheres, autodeclarados brancos, e com renda familiar de três salários mínimos. No Estudo 2, 94 pessoas participaram de diferentes cidades brasileiras, com idades entre 18 e 64 anos, onde 50% se identificaram como brancos, com renda mensal familiar média de R$4.479,98. A análise de dados se deu através de análise descritiva, fatorial e inferencial com uso do pacote estatístico SPSS. Os resultados mostraram que os participantes utilizaram a justificativa de restrição do escopo de justiça para o endogrupo nos dois estudos a fim de legitimar a exclusão dos grupos étnicos e minoritários, disfarçando a expressão preconceito. Nesse sentido, a forma como as pessoas percebem a aplicação da justiça para diferentes grupos (escopo de justiça) pode ser alterada com base no preconceito, bem como ser utilizada para justificar, de forma velada, a exclusão social. Esta pesquisa corrobora com estudos sobre como a discriminação é legitimada e perpetuada utilizando a justiça.

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Seção
Psicologia Social e Saúde das Populações

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