Luz de dentro

trabalho empírico e teoria de projeto

  • LIZETE MARIA RUBANO FAU MACKENZIE
  • Antonio Aparecido Fabiano Junior

Resumo

Este trabalho, relato crítico de uma experiência do escritório modelo Mosaico[1], da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Mackenzie, tem como perspectiva o desenho e a construção de metodologia de projeto a partir de uma experiência que coloca em discussão hipóteses projetuais – urbanas e arquitetônicas – voltadas à habitação. Essas hipóteses foram construídas tendo por base processos de aproximação ao território de estudo (ZEIS nos Campos Elíseos) e às suas camadas sociais (tempo de ocupação, modo de vida, uso do espaço público, participação institucional), aproximação essa inscrita em uma lógica ampliada (habitação no centro, disputa pelo território urbano, marco regulatório, legislação urbanística) preenchida por circunstâncias e especificidades locais. Associada a uma equipe transdisciplinar – constituindo o Fórum Aberto Mundaréu da Luz [2]–, essa experiência permitiu pensar a dimensão do projeto a partir de sua possibilidade emancipatória, como instrumento de luta social, para a população moradora do bairro e para a formação profissional dos estudantes, considerando a condição de urgência posta pela disputa de nossos territórios urbanos, na proposição de explorar o papel da Universidade como ferramenta de formação, reflexão e proposição de alternativas na busca da constituição da cidadania.

 

[1] O Mosaico, Escritório Modelo de Arquitetura e Urbanismo – EMAU, da FAU Mackenzie, é um projeto desenvolvido pela Federação Nacional de Estudantes de Arquitetura e Urbanismo – FeNEA, implantado por alunos há 14 anos, cujo principal objetivo é trabalhar em parceria com a sociedade civil no assessoramento de demandas sociais, arquitetônicas e urbanísticas de comunidades organizadas, sendo instrumento importante para a formação acadêmica, profissional e social dos envolvidos (FENEA, 2006).

 

[2] (2) Em Maio de 2017 diversos grupos e instituições que atuam nos Campos Elíseos constituíram o Fórum Aberto Mundaréu da Luz (agenciado essencialmente pelo LabCidade da FAUUSP), a fim de produzir projeto, ainda em curso, a partir da observação, escuta e participação efetiva da população local do bairro, com suas necessidades e desejos, de forma transdisciplinar – multi e interdisciplinar. Dentre estes grupos se encontram: Ação da Cidadania, Centro de Convivência É de Lei, Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos, Companhia de Teatro Mungunzá, Companhia de Teatro Pessoal do Faroeste, A Craco Resiste, Defensoria Pública de São Paulo, Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres – Nudem, Habitação e Urbanismo – Nehaburb, Cidadania e Direitos Humanos – NECDH, Direitos do Idoso e da Pessoa com Deficiência – Nediped, FLM – Frente de Luta por Moradia, Frente Estadual de Luta Antimanicomial – Feasp-SP, Goma Oficina, Instituto de Arquitetos do Brasil/São Paulo – IAB-SP, Iniciativa Negra por uma Nova Política Sobre Drogas – INNPD, Instituto Pólis, Laboratório Espaço Público e Direito à Cidade/FAUUSP – LabCidade, Laboratório Justiça Territorial/UFABC – LabJUTA, Laboratório de Estudos da Violência e Vulnerabilidade Social/Mackenzie – LEVV, moradores e comerciantes das quadras 36, 37 e 38 do bairro Campos Elíseos, Escritório Modelo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo/Mackenzie – Mosaico, Movimento Integra, Observatório de Remoções, A Próxima Companhia de Teatro, Rede Paulista de Educação Patrimonial – REPEP, Sã Consciência, União dos Movimentos de Moradia – UMM.

Publicado
2020-02-25
Seção
Artigos